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29/06/2007

Objetivo político temerário para Blair, o novo enviado de paz para o Oriente Médio

Financial Times
Roula Khalaf
A designação de Tony Blair como enviado de paz ao Oriente Médio gerou dúvidas entre vários setores, incluindo membros do Quarteto para a promoção da paz na região - formado por União Européia, Organização das Nações Unidas (ONU), Rússia e Estados Unidos -, que ele representará.

Alguns protagonistas internacionais no processo diplomático para o Oriente Médio temem que a fama do ex-primeiro-ministro do Reino Unido eclipse o seu envolvimento nas negociações. Outros afirmam que o fato de os seus poderes serem limitados, focando-se nas questões referentes ao desenvolvimento econômico e à governança dos palestinos, impeça progressos concretos na busca de soluções para o conflito palestino-israelense.

Mas o maior desafio de Blair provavelmente será a política internacional que ele foi encarregado de promover. Blair, sem dúvida, traz, conforme afirma a Casa Branca, que o apoiou, "uma intensidade de foco" para o Quarteto. E, apesar da sua impopularidade no mundo árabe devido às suas políticas para o Iraque e o Líbano, ele mantém um bom relacionamento com os seus dois principais interlocutores: Ehud Olmert, o primeiro-ministro israelense, e Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina.

Mas com a Cisjordânia e a Faixa de Gaza atualmente separadas em dois feudos, um novo governo nomeado por decreto e um parlamento paralisado, não está claro quais instituições palestinas ele poderia ajudar nos preparativos para a criação de um Estado, e tampouco como Blair seria capaz de melhorar o estado da economia palestina.

Abbas, o único líder palestino com o qual Blair terá permissão para negociar, perdeu o controle da Faixa de Gaza para o Hamas, e a sua autoridade se restringe à Cisjordânia, um território dos palestinos ocupado pelos israelenses. O parlamento é dominado pelo Hamas, que venceu o partido Fatah, de Abbas, nas eleições de 2006, mas que não foi consultado quando o presidente dissolveu sumariamente o governo de unidade nacional e nomeou um novo gabinete.

Os analistas estão advertindo que a resposta internacional liderada pelos Estados Unidos ao rompimento entre Fatah e Hamas pode agravar as relações entre as duas facções e fazer com que a conflagração que tomou conta da Faixa de Gaza seja transferida para a Cisjordânia.

Desde que Abbas desmantelou o seu governo de unidade, as potências ocidentais apressaram-se em apoiá-lo, naquilo que alguns analistas têm se referido como a estratégia "primeiro a Cisjordânia".

A idéia parece ser fornecer dinheiro e apoio político à Cisjordânia na esperança de transformá-la em um modelo de Estado do qual os moradores da Faixa de Gaza desejarão fazer parte. Mas os analistas questionam a viabilidade de tal estratégia, argumentando que há o risco de que isso exacerbe as divisões palestinas, radicalize ainda mais a Faixa de Gaza e mine a credibilidade de Abbas perante o seu próprio povo.

Em um relatório confidencial que vazou recentemente para a imprensa, Alvaro de Soto, o ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, afirmou que o boicote internacional ao Hamas, que teve início após as eleições de janeiro de 2006, teve conseqüências devastadoras.

O seu relatório, redigido antes de o Hamas assumir o controle sobre a Faixa de Gaza, acusa os Estados Unidos de exercerem uma pressão indevida a fim de impor uma política tendenciosa e pró-israelense sobre os esforços diplomáticos na região. De Soto chegou a pedir a Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, que considerasse a possibilidade de retirar a organização do Quarteto.

Robert Malley, um ex-funcionário da Casa Branca que é diretor do programa para o Oriente Médio do Grupo de Crise Internacional, diz que a política "primeiro a Cisjordânia" está "atrasada alguns anos e desvinculada da realidade em vários degraus".

Em um artigo publicado no "Washington Post", com co-autoria de Aaron Miller, outro ex-funcionário do governo dos Estados Unidos, Malley adverte para os perigos da estratégia de se apostar no Fatah e isolar o Hamas. "Desde a vitória eleitoral do Hamas, a política dos Estados Unidos ajudou a fortalecer as forças radicais, debilitar as instituições palestinas, minar a fé na democracia, enfraquecer Abbas e fazer com que o processo de paz retrocedesse. Por que pedir mais desta receita?".

Malley argumenta que cedo ou tarde Abbas será forçado a buscar um novo arranjo de compartilhamento de poder entre o Hamas e o Fatah. Segundo ele, os Estados Unidos deveriam então apoiar um novo governo de união e aproveitar a oportunidade para promover um acordo de paz israelense-palestino abrangente.

Em um momento no qual os diplomatas estão mais uma vez falando sobre transformar a catástrofe na Faixa de Gaza em uma nova oportunidade, Blair estará refletindo sobre a experiência do seu antecessor, James Wolfensohn.

O ex-chefe do Banco Mundial foi escolhido como enviado para a região depois que a retirada dos colonos israelenses da Faixa de Gaza em 2005 provocou o renascimento econômico do território, naquela que foi apelidada de estratégia "primeiro a Faixa de Gaza". Mas ele renunciou no ano passado quando Israel não honrou um compromisso intermediado pelos Estados Unidos que teria aberto a Faixa de Gaza para o resto do Mundo. Depois disso Wolfensohn afirmou que, caso a situação econômica da Faixa de Gaza tivesse melhorado, o Hamas não teria vencido as eleições de 2006.

Segundo novo emprego para o ex-primeiro-ministro

Tony Blair passou a fazer parte da diretoria do Fórum Econômico Mundial, o seu segundo cargo no período de 24 horas desde que deixou o posto de primeiro-ministro do Reino Unido.

Revelou-se também que Blair foi novamente questionado por detetives britânicos que investigam alegações de propinas envolvendo o seu governo. O "Financial Times" descobriu que Blair foi interrogado uma terceira vez pela polícia há algumas semanas.

Promotores solicitaram à polícia que realizasse novas investigações sobre as alegações de que empresários ricos que forneceram secretamente milhões de libras esterlinas ao Partido Trabalhista para que este disputasse as últimas eleições teriam sido recompensados com a concessão de títulos de nobreza. O ex-primeiro-ministro não foi considerado um dos suspeitos no caso. UOL

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