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29/06/2007

Raiva no Peru enquanto Fujimori revela candidatura no Japão

Financial Times
David Pilling em Tóquio e Hal Weitzman
Em Lima
O Peru prometeu nesta quinta-feira (28/6) prosseguir em sua tentativa de extraditar Alberto Fujimori do Chile, apesar da declaração do ex-presidente peruano que concorrerá às eleições no Japão. A decisão de Fujimori acrescentou mais uma reviravolta bizarra a uma carreira política extraordinária, no que apareceu um estratagema para fugir da justiça peruana. Fujimori, 68, que nasceu no Peru de pais japoneses, está sob prisão domiciliar no Chile, esperando o resultado das audiências de extradição.

Reuters 
Em Lima, população protestou contra a decisão de Fujimori concorrer às eleições no Japão

O ex-presidente, que dominou o Peru por 10 anos tumultuados, de 1990-2000, é procurado em seu país natal por apropriação ilegal e sanção de esquadrões da morte. Seus defensores dizem que derrotou o Sendero Luminoso e a hiperinflação. Ele disse na quarta-feira que pretende concorrer às eleições do próximo mês para a Câmara Alta pelo Novo Partido do Povo. "Isso não vai deter o processo de extradição que iniciamos", disse Jorge del Castillo, primeiro-ministro do Peru.

Sua determinação em levar Fujimori a julgamento no Peru foi aprovada por muitos em Lima. "Mesmo que Fujimori consiga entrar no Senado no Japão, ele deverá responder por seus crimes à justiça peruana", disse o congressista Aldo Estada.

Outros ficaram revoltados. Para Daniel Abugattas, congressista da oposição, isso mostra que o processo de extradição "fracassou", enquanto Juan Carlos Eguren, do partido conservador UN, disse que Fujimori "decidiu ser japonês para evitar a justiça".

Os partidários de Fujimori em Lima -que controlam um dos maiores blocos do Congresso peruano- pareciam desapontados. Eles achavam que ele triunfaria contra os pedidos de extradição e voltaria para concorrer à presidência em 2011.

Matha Chávez, presidente do Partido Nova Maioria, que defende Fujimori, disse: "Eu esperava que ele declinasse educadamente tal convite (para participar das eleições)", disse ela. Orlando Alvarez, juiz chileno que está lidando com o processo de extradição, diz que espera emitir sua decisão "o mais breve possível".

A lei eleitoral japonesa não impede sua candidatura pelo fato de ser procurado pela Interpol ou por estar incapacitado de voltar ao Japão para desenvolver sua campanha. Legalmente, Fujimori deve ficar no Chile até o fim do processo de extradição, mas no Peru alguns temem que ele consiga escapar.

O Japão foi criticado por recusar-se a extraditar Fujimori após ter-lhe dado cidadania.

Em gesto famoso, Fujimori passou sua renúncia por fax ao Congresso peruano de Tóquio, em 1990, durante uma viagem ao exterior organizada para escapar das acusações de abusos de direitos humanos que envolviam seu governo.

Ele permaneceu cinco anos no Japão, até o dia 25 de novembro, quando foi para o Chile, supostamente a caminho das eleições presidenciais no Peru. Suas esperanças de um retorno presidencial dramático, entretanto, foram desfeitas quando foi preso pelas autoridades chilenas. Fujimori disse ao FT em entrevista em 2005 que as acusações contra ele foram fabricadas.

Em uma conferência com a imprensa em Tóquio, por telefone de Santiago ontem, em japonês quebrado, Fujimori mostrou que não tinha perdido nada de sua sabedoria política. Ele disse que se empenharia em garantir a liberação dos cidadãos japoneses presos na Coréia do Norte, evocando uma das questões mais emotivas da política japonesa.

Ascensão e queda de um líder controverso

Alberto Ken'ya Fujimori nasceu em Lima no dia 28 de julho de 1938 de pais japoneses que tinham migrado para o Peru quatro anos antes. Ele passou o início de sua carreira como acadêmico e foi presidente duas vezes da Comissão Nacional de Reitores de Universidades Peruanas.

Sua vitória surpreendente nas eleições presidenciais de 1990 deu início a seus dois mandados controversos. Como presidente, ele recebeu crédito por restabelecer a estabilidade macroeconômica e política, após a presidência turbulenta de seu predecessor.

Entretanto, Fujimori foi criticado freqüentemente por sua liderança autoritária e foi removido do cargo em 2000, em meio a escândalos e instabilidade, e foi proibido de assumir cargos públicos por uma década. Ele tentou concorrer às eleições presidenciais de abril de 2006, mas foi desqualificado. Deborah Weinberg

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