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29/06/2007

'Transplante de genoma' na biologia sintética

Financial Times
Clive Cookson
Em Londres
Cientistas nos Estados Unidos transformaram uma espécie de bactéria em outra por meio de "transplante de genoma", um passo chave visando à meta de criar um micróbio da estaca zero em laboratório.

Este feito de Craig Venter e seus colegas, publicado na terça-feira (26/6) na revista "Science", chamará a atenção para o campo controverso da biologia sintética, que visa a transformar ingredientes químicos em novas formas de vida.

Geneticistas como o Dr. Venter acreditam que será mais eficiente projetar um novo micróbio sintético para provocar reações biomédicas específicas - por exemplo, produzir biocombustíveis como etanol ou hidrogênio - do que manipular organismos existentes.

Cientistas do Craig Venter Institute, sua fundação de pesquisa em Rockville, Maryland, transplantaram o cromossomo do Mycoplasma mycoides, que contém todo o genoma bacteriano, para a espécie relacionada Mycoplasma capricolum.

As células resultantes eram idênticas às do M. mycoides em comportamento e aparência - em outras palavras, o DNA do doador expulsou o DNA da célula hospedeira e assumiu o controle de seu sistema bioquímico. Fazendo uma analogia de informática, o Dr. Venter disse que o feito "foi equivalente a transformar um Mac em PC inserindo uma peça de software".

Brian Spratt, professor de microbiologia molecular do Imperial College, Londres, comentou: "Craig Venter está prometendo uma bactéria sintética há algum tempo".

"Ele parece ter solucionado um dos dois passos chaves - um mecanismo comprovado com o qual poderia substituir o cromossomo residente de uma bactéria pelo cromossomo sintético em um tubo de ensaio - agora ele precisa mostrar que é capaz de produzir o cromossomo sintético."

Na coletiva de imprensa de segunda-feira, o Dr. Venter negou a especulação de que seu instituto já produziu - mas ainda não publicou - uma bactéria sintética. "Nós estamos dando saltos à frente, mas muitas pessoas estão dando saltos ainda mais rápidos em suas imaginações", ele disse. Produzir um organismo sintético ainda levará "semanas ou meses".

O Dr. Venter previu que biocombustíveis poderão ser produzidos por um organismo sintético em cinco a 10 anos.

No mês passado, o Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos publicou um pedido extremamente amplo de patente feito pelo Craig Venter Institute. Ele cobre a síntese de um "genoma mínimo" - o menor número de genes exigidos para sustentar um organismo capaz de viver livremente - e seu transplante para uma célula hospedeira, para criar um novo organismo.

O pedido de patente provocou protesto do ETC Group, o grupo canadense de vigilância de tecnologia, que chamou a atenção da opinião pública para ele: "Nós estamos extremamente preocupados com a amplitude e implicações desta patente inovadora e sua reivindicação de monopólio".

"Nós não temos idéia sobre se a patente será concedida", disse o Dr. Venter. A propriedade intelectual do Craig Venter Institute será comercializada por meio de sua empresa associada, a Synthetic Genomics. George El Khouri Andolfato

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