UOL Notícias Internacional
 

03/07/2007

Doce atração pelos biocombustíveis do Brasil

Financial Times
Jonathan Wheatley
É uma ligação telefônica cheia de crepitação entre São Paulo e Hong Kong, mas a satisfação na voz de Ricardo Leiman é transmitida de forma alta e clara. "Os fatos falam por si", ele diz. "Pessoas como a Archer Daniels Midland e a Bunge estavam de olho há anos. (Mas) nós tivemos a agilidade para sermos mais rápidos. Nós compramos nossa usina e já estamos duplicando seu tamanho."

Leiman, um brasileiro, é diretor chefe de operações do Noble Group, uma empresa de commodities e processamento com sede em Hong Kong e com operações que ligam as Américas, o Oriente Médio e a Ásia.

Ela já cuida de cerca de 10% das exportações de etanol do Brasil. Neste ano, ela gastou US$ 70 milhões para adquirir uma usina de açúcar e etanol no Estado de São Paulo, o coração do setor no Brasil. O investimento total na unidade deverá chegar a US$ 200 milhões.

Mas a visão de Leiman a respeito da demora de suas maiores rivais pode ser exagerada. Grupos de private equity e outros investidores estrangeiros e brasileiros estão rapidamente montando seus portfólios baseados em cana-de-açúcar.

A Cargill, o grupo de agronegócio americano, entrou no ano passado em um joint venture em uma usina de açúcar e etanol; há grande volume de rumores de que está no meio de uma nova aquisição. A ADM, também americana, está construindo uma usina de biodiesel no Estado do Mato Grosso. Ela disse recentemente estar buscando aquisições em açúcar e etanol.

Entre as grandes empresas americanas, apenas a Bunge disse que não tem ativos no setor, apesar de ser de amplo conhecimento de que está procurando. Ofuscando todas elas está o recente anúncio da Odebrecht, um diversificado grupo brasileiros do setor de construção, que disse estar preparado para gastar até R$ 5 bilhões ao longo dos próximos cinco anos na produção e processamento de cana-de-açúcar.

"O mercado está extremamente agitado", disse José Francisco Davos, diretor de desenvolvimento de negócios da Dedini, uma fabricante de equipamento para usinas de açúcar e etanol com sede em Piracicaba, São Paulo. "Cada usina no Brasil está sob forte ataque de compradores potenciais."

Há rumores de que a própria Dedini foi abordada por compradores de private equity, apesar de Davos ter dito que, embora esteja aberto para ouvir com interesse qualquer oferta, nenhuma ainda foi feita.

Em vez disso, a Dedini está se preparando para lançar suas ações no mercado daqui um ou dois anos. No Brasil, espera-se que o número de usinas em operação aumente das atuais 335 para cerca de 425 em 2012. Antes do anúncio da Odebrecht, a Unica, a associação do setor, disse que os investimentos poderão totalizar US$ 15 bilhões.

Estimulando os acordos, em primeira instância, está o mercado brasileiro. O Brasil é a 10ª maior economia do mundo e uma das maiores consumidoras do etanol combustível. Mais de três quartos de todos os carros novos podem rodar a etanol, gasolina ou qualquer mistura dos dois, enquanto a gasolina vendida nas bombas contém um quarto de etanol.

Com a produção de automóveis aumentando e a taxa anual de crescimento econômico beirando cerca de 4,5%, o mercado local absorverá grande parte da nova produção de etanol.

Mas o sonho de muitos investidores é que o Brasil se torne uma "Arábia Saudita verde", fornecendo ao mundo uma nova alternativa aos combustíveis fósseis. O país possui a capacidade. A produção pode crescer muitas vezes sem, por exemplo, ameaçar a floresta Amazônica, onde o clima é hostil à cana-de-açúcar.

Os maiores obstáculos ao crescimento da exportação estão nos países desenvolvidos, onde produtores de etanol muito menos eficientes são protegidos por subsídios e tarifas de importação, por exemplo, a de 54 centavos de dólar por galão nos Estados Unidos.

Se os Estados Unidos quiserem atingir a meta do presidente George W. Bush de aumentar o consumo de etanol para sete vezes a atual produção americana até 2017, eles terão que aceitar a importação. Globalmente, uma legislação seria necessária para tornar o etanol disponível nas bombas, por conta própria ou como uma parte significativa da gasolina.

Mas os investidores estão confiantes de que isto acontecerá. "É uma decisão política que os países terão que tomar individualmente", disse Leiman da Noble. "Há um conflito de interesse entre os distribuidores (de combustível fóssil) e os recém-chegados. Mas nós estamos otimistas de que mandatos serão implementados. A tendência é clara." George El Khouri Andolfato

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