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04/07/2007

Potências emergentes pressionam por mais influência no G8

Financial Times
Hugh Williams
Em Berlim
Uma iniciativa do G8, o grupo das oito nações mais industrializadas do mundo, no sentido de estabelecer vínculos mais estreitos com as economias emergentes está gerando problemas apenas semanas após ter sido lançada, conforme descobriu o "Financial Times".

As reclamações das potências emergentes - China, Índia, África do Sul, México e Brasil - quanto à forma como foram tratadas no último encontro de cúpula do G8 as levou a exigir maior influência nos futuros processos decisórios do grupo de países ricos.

O G8 concordou em 8 de junho, durante a sua reunião em Heligendamm, na Alemanha, em dar início a dois anos de conversações em nível ministerial com os cinco países em desenvolvimento que participam como convidados das reuniões com os países ricos - os cinco são conhecidos informalmente pelo G8 como grupo "Outreach" - sobre tópicos como mudança climática, direitos de propriedade intelectual e aspectos sociais da globalização.

Um relatório com recomendações de ações será apresentando no encontro de cúpula do G8 em 2009 na Itália. Angela Merkel, chanceler alemã e anfitriã do G8, disse que o processo de Heiligendamm, conforme o diálogo é conhecido, foi necessário devido à crescente influência desses países na moldagem da globalização.

Mas a inquietude com relação ao papel limitado exercido pelos cinco países durante o encontro e desacordos quanto à esperada atuação da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCED) no sentido de facilitar o diálogo estão causando problemas.

O colapso no mês passado das tentativas de ressuscitar a rodada comercial global de Doha também está pesando sobre o processo de Heiligendamm, dizem os diplomatas. As negociações comerciais perto de Berlim foram suspensas com acrimônia, quando os Estados Unidos e a União Européia se desentenderam com a Índia e o Brasil. "Isso não ajudou a fomentar o diálogo", afirmou um diplomata que integra o G8.

Diplomatas do grupo de cinco países em desenvolvimento disseram ao "Financial Times" que os seus chefes de Estado ficaram irritados com o fato de o comunicado que lançou o processo de Heligendamm ter sido publicado antes de os cinco líderes terem se reunido com os seus congêneres do G8 no encontro de cúpula. Os cinco apoiaram o documento, mas segundo fontes, não gostaram da esnobação diplomática.

Manmohan Singh, o primeiro-ministro da Índia, disse mais tarde aos jornalistas que os cinco países também reclamaram por não terem sido tratados como iguais nas conversações em Heiligendamm. O G8 pediu o auxílio dos cinco países ao tratar de questões como a mudança climática, mas os emergentes não foram levados a sério em questões mais amplas relativas à governança global. "Eu disse aos países do G8 que nós não viemos aqui como pedintes, mas sim como parceiros em um processo justo de gerenciamento da comunidade global das nações", afirmou Singh.

"No futuro, é preciso que tenhamos uma chance de discutir questões preocupantes antes da reunião do G8, de forma que o nosso ponto de vista possa influir no processo de reflexão do G8", acrescentou ele.

Singh disse ter falado sobre essa questão com Merkel, e acrescentou que a reunião do G8 do próximo ano, no Japão, precisa proporcionar espaço para uma maior participação das potências emergentes.

Algumas das economias emergentes também se opõem ao fato de a OCED, com sede em Paris, ter desempenhado um papel significativo no processo de Heiligendamm, em parte porque elas não desejam ficar fortemente associadas àquilo que vêem como um clube de nações ricas. Um documento com a posição dos cinco países sobre o G8, obtido pelo "Financial Times", diz que a "governança global" deveria ser fortalecida por meio das Nações Unidas e a melhoria da cooperação entre os países em desenvolvimento. A OCED não foi mencionada no documento.

O Brasil afirmou perante o G8 que não desejava que o processo de Heiligendamm se misturasse com as suas negociações distintas com a OCED. Autoridades alemãs asseguraram aos cinco países que a OCED desempenhará apenas um "papel técnico", por exemplo, realizando pesquisas.

Os comentários feitos para o "Financial Times" por Angel Gurría, o secretário-geral da OCED, provavelmente alimentarão essas preocupações. Ele vinculou o processo de Heiligendamm à decisão tomada pela OCED em maio último de promover contatos mais estreitos entre a organização e a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul.

"Esses processos estão de fato interligados", disse ele. "Os dois grupos se reforçam mutuamente". Segundo ele o processo de Heiligendamm se tornará parte de contatos estabelecidos, especialmente com o Brasil, a Índia e a China (o México já faz parte da OCED).

Gurría afirmou ter consciência de que o papel da OCED junto ao G8 "gerou questões sensíveis", mas disse que isso ficará esclarecido durante negociações agendadas para este ano. UOL

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