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05/07/2007

Governos de olho nos grandes lucros do petróleo

Financial Times
Sheila McNulty
Enquanto a ConocoPhillips, a terceira maior companhia de petróleo dos Estados Unidos, acertava as contas com Hugo Chávez, na Venezuela, devido aos seus planos para assumir o controle de ativos no valor de bilhões de dólares, ela enfrentava outra batalha na frente doméstica, com seu próprio governo.

Na Venezuela, a Conoco decidiu abrir mão das participações em dois projetos de processamento de óleo pesado na região do cinturão do Orinoco, optando por negociar uma indenização que provavelmente será prolongada e incerta, e que poderá acabar em uma arbitração.

Nos Estados Unidos, por outro lado, ela concordou em ceder às exigências de royalties mais altos no Golfo do México. Muitos no setor vêem as duas ações como parte do mesmo problema global que a indústria enfrenta: a tentativa dos governos de tirar vantagem dos lucros recordes.

A Conoco foi capaz de dar explicações racionais à medida americana. Jim
Gallogly, o vice-presidente executivo de sua divisão de refino e marketing, disse que a Conoco consegue ver como os Estados Unidos podem alegar que cometeram um erro nas negociações anteriores em torno do pagamento de royalties.

O uso de força maior por parte da Venezuela para dar à Pdvsa, a companhia estatal de petróleo, a participação majoritária nos projetos de processamento de óleo pesado, que transformam este em cru que pode ser vendido nos mercados mundiais, foi algo completamente diferente. "A maioria das pessoas honram seus contratos; isto realmente é uma exceção e não a regra", disse Gallogly.

Mas é uma exceção que um número cada vez maior de países ricos em petróleo está fazendo. Rodolfo Guzman, um diretor da Global Energy Practice da Arthur D Little, disse que nos últimos cinco anos, a Rússia e a Bolívia se juntaram à Venezuela na redução da participação estrangeira em seus setores de petróleo.

Diante deste cenário, todos os grupos globais de petróleo tiveram que fazer concessões, como aceitar taxas mais altas de royalties e mudanças nos regimes tributários. Mas a Conoco e a ExxonMobil, que também está se retirando dos projetos de processamento de óleo pesado, não queriam estabelecer um precedente ao simplesmente entregarem as rédeas para Caracas.

A Exxon nota que o investimento em questão foi de menos de 0,7% de sua propriedades, instalações e equipamentos mundiais, e diz que a perda não deverá ter um "efeito material" sobre suas operações ou condição financeira.

Gallogly disse que a depreciação de US$ 4,5 bilhões que a Conoco enfrenta pela perda de seus ativos venezuelanos foi "algo muito significativo". Mas a empresa julgou que o custo de permanecer parecia pior.

Uma preocupação chave era como os projetos seriam administrados no futuro: em uma base comercial ou política.

Administrar os projetos por decreto político poderia minar ainda mais sua lucratividade, deixando aqueles que permaneceram com prejuízos maiores. Todavia, Guzman defende a manutenção do curso. "Países com prospectividade como a Venezuela são raros, e aqueles que permitem investimento podem ser contados nos dedos", ele disse.

Qualquer perda de acesso a recursos potencialmente lucrativos é significativa em um momento em que as companhias de petróleo internacionais estão lutando para encontrar novas reservas. Isto certamente foi um fator para convencer a Chevron a permanecer. A segunda maior companhia de petróleo americana lembrou seu relacionamento de negócios "apreciado" com a Venezuela, que remonta os anos 20.

"Nós continuamos vendo valor de negócios em permanecer na Venezuela e buscando investimentos estratégicos de longo prazo no setor de gás e petróleo da Venezuela", disse Leif Sollid, o porta-voz da Chevron.

Os analistas dizem que a Chevron e as outras empresas que permaneceram - a Total da França, a britânica BP e a Statoil da Noruega - podem estar esperando resistir à tendência nacionalista e acabar com termos mais favoráveis no futuro.

Amy Myers Jaffe, da Universidade Rice, acredita que este pode ser o caso, dado que a Venezuela pode ver sua produção - que já está caindo - decair ainda mais. George El Khouri Andolfato

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