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05/07/2007

Presidente do Senado brasileiro sob pressão para que deixe o cargo

Financial Times
Jonathan Wheatley
A pressão está crescendo sobre Renan Calheiros, presidente do Senado do Brasil, para que renuncie por um escândalo de corrupção que paralisa o Congresso nas últimas seis semanas.

Sergio Lima/Folha imagem 
Calheiros continua se defendendo, dizendo que as denúncias são 'ataques ao Senado'

A Ordem de Advogados brasileira pediu que ele renunciasse. Grupos de empresários e da igreja estão pressionando os congressistas a retirá-lo. Políticos da oposição vacilaram em torno do assunto, mas nesta semana finalmente começaram a apresentar uma frente unida, pedindo para Calheiros renunciar e exigindo uma investigação plena. "Muitas leis do interesse de muitas pessoas estão sendo retidas", disse Fernando Gabeira, deputado federal do partido verde que faz campanha contra a corrupção.

Há fortes evidências de que os gastos pessoais de Calheiros foram pagos por um funcionário de uma empresa de construção. O senador nega qualquer delito e recusou-se a renunciar ou se ausentar do cargo durante as investigações.

O partido de Calheiros, o amplo e diverso PMDB, é o maior no Congresso e na coalizão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Calheiros era uma figura chave para assegurar a maioria para o governo Lula no Congresso.

Separadamente, outro senador fez uma defesa melodramática na segunda-feira (2/7) de sua inocência depois de uma denúncia de suborno de R$ 2,23 milhões. Ele não tem a forte rede de suporte de Calheiros no Congresso e provavelmente cairá rapidamente.

Juntos, os escândalos marcam a continuação de uma série quase ininterrupta de alegações que afligiram o governo Lula desde maio de 2005. Quando os escândalos emergiram pela primeira vez, causaram sérios danos aos índices de popularidade de Lula. Mas pesquisas de opinião recentes sugerem que os eleitores não associam mais o presidente à corrupção, ou não esperam nada melhor de seus políticos.

Gabeira disse que o resultado é uma cultura de ilegalidade. "As pessoas não acreditam em cidadania, na vida coletiva. Elas só buscam vantagens pessoais. A corrupção mina o capitalismo, pois destrói a confiança".

"Para os que têm acesso a bons advogados, a impunidade é quase garantida", disse Walter Fanganiello Maierovitch, ex-membro da segurança. "Mas nas áreas pobres, a polícia chega atirando, e a população fica presa no fogo cruzado."

Os políticos são especialmente privilegiados. Uma vez eleitos, deputados e senadores só podem ser julgados pela Suprema Corte, que nunca condenou um deles. Estima-se que 30% dos membros do Congresso têm ficha criminal; muitos buscam ser eleitos para evitar a justiça.

Os empresários têm plena consciência das dificuldades de depender da justiça. "Você tem que ter contratos sólidos, com músculos sobre seus parceiros que não dependem de um pedaço de papel", disse o diretor de uma multinacional em São Paulo.

O custo da corrupção para a economia é difícil de avaliar. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade, estima-o em R$ 10 bilhões por ano, ou 0,5% do produto interno bruto.

Políticos importantes parecem satisfeitos em ver pessoas como Calheiros impunes. Lula recentemente foi visto dando um tapinha em suas costas. Mais extraordinária foi a declaração e o apoio de Tarso Genro, assessor presidencial e ex-defensor da probidade. "Pelo bem do país e de nossas instituições, eu quero que Renan seja inocente", disse ele. "Isso é o que todos nós e todo o povo brasileiro quer."

Um escândalo nítido

Pela própria admissão do senador, um funcionário de uma empresa de construção envolvida em grandes projetos públicos, que dependem de emendas do orçamento sob o controle de Calheiros, por dois anos entregou todos os meses pagamentos em dinheiro de cerca de R$ 12.000 para uma ex-jornalista, com quem o senador casado estava tendo um caso e tem uma filha de três anos.

Calheiros diz que isso não o torna culpado de nada. Para provar sua inocência, ele diz que o dinheiro era dele. Reportagens de televisão provaram que as notas que apresentou para substanciar sua alegação eram falsas: as pessoas para quem ele teria vendido gado a um alto preço, por exemplo, negaram jamais ter feito negócios com ele.

Ainda assim, Calheiros continua se defendendo, descrevendo as reportagens como ataques ao Senado. Deborah Weinberg

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