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06/07/2007

Brasil consegue fatia mais suculenta do mercado mundial de carne

Financial Times
Jonathan Wheatley
Dirigindo por sua fazenda de 3 mil hectares perto de Cuiabá, na região central do Brasil, Arno Schneider encosta a caminhonete e aponta para um pasto de um verde quase luminoso. "Podemos colocar dez cabeças por hectare em uma terra como essa", ele diz. "É o pasto mais rico que temos hoje, mas temos técnicas para avançar mais. O céu é o limite." São palavras que podem causar medo nos corações dos pecuaristas dos países desenvolvidos, que enfrentam uma concorrência cada vez mais forte das exportações brasileiras nos mercados mundiais.

O Brasil é hoje o segundo maior produtor de carne no mundo, depois dos EUA, produzindo mais de 9 milhões de toneladas, contra 6 milhões uma década atrás, em comparação com cerca de 12 milhões dos EUA. Mas enquanto os EUA são um importador líquido, a nova produtividade do Brasil foi dirigida principalmente para os mercados de exportação.

De um sexto lugar entre os exportadores de carne dez anos atrás, com pouco mais de 300 mil toneladas, o Brasil disparou para a liderança mundial, exportando mais de 2,4 milhões de toneladas no ano passado.

O maior mercado do Brasil é a Rússia, que respondeu por 29% das exportações este ano, seguida do Egito com 12%, Reino Unido com 6%, Hong Kong com 5% e Irã, Itália, EUA e Holanda com 4% cada.

A transformação tem origem nos anos 1970, quando pecuaristas como Schneider começaram a migrar das terras agrícolas tradicionais do sul do Brasil, cujo solo é um dos mais férteis do mundo, para o norte, no antes semi-árido cerrado, onde pouco acontecia fora uma mineração ocasional e pecuária de baixa densidade.

O solo era ácido, com alto teor de alumínio e baixo de nutrientes. Os agricultores que chegaram resolveram os três problemas de uma vez, acrescentando calcário. Novos avanços foram liderados por instituições como a Embrapa, o órgão de pesquisas agrícolas do governo. Ela desenvolveu novas variedades de capim que aumentaram a densidade potencial do gado para cerca de um animal por hectare.

"Essa é a capacidade máxima do solo para fornecer nutrientes para o gado de corte", disse Schneider. A carne brasileira tradicionalmente é alimentada somente com pasto.

Nos últimos anos, fazendeiros como Schneider vêm trabalhando para aumentar a produtividade. No nível mais simples, é uma questão de fornecer os nutrientes que o solo transforma em capim e o gado transforma em carne.

Também envolve o uso de ração animal durante as últimas semanas de vida dos animais, ainda nos campos. Na prática não é tão simples. "Seria preciso um livro para descrever todas as técnicas envolvidas", diz Schneider.

A densidade média na fazenda de Schneider hoje é de quase dois animais por hectare. Ele pretende triplicá-la nos próximos cinco anos. O financiamento será uma restrição. Outra, para o setor em geral, é o fraco histórico do governo em saneamento, que foi em parte responsável pelos recentes surtos de febre aftosa. No entanto, os mercados mundiais devem se preparar para mais um surto nas exportações de carne brasileiras nos próximos anos. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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