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17/07/2007

Grã-Bretanha está preparada para reação de Putin à expulsão de diplomatas

Financial Times
Daniel Dombey em Londres
Neil Buckley em Moscou
Desde o momento em que Alexander Litvinenko morreu em agonia em novembro passado em Londres, a disputa sobre seu assassinato ameaça aumentar as tensões crescentes entre a Rússia e o Ocidente.

No dia em que Litvinenko morreu, o presidente russo, Vladimir Putin, estava em uma cúpula com a União Européia - um evento obscurecido pela morte do ex-agente russo e pelo fracasso da UE em concordar com o início de novas e amplas negociações com Moscou.

Desde então as tensões entre Moscou e Londres sobre o caso Litvinenko aumentaram constantemente e a relação entre a Rússia e o Ocidente em geral também se tornou muito mais difícil. Foi impossível manter as duas questões totalmente separadas. Mas apesar da crescente irritação do governo britânico diante da recusa da Rússia a extraditar Andrei Lugovoi, o homem que Londres acusa pelo assassinato de Litvinenko, os dois lados tentaram limitar as conseqüências da disputa.

"Administramos nossa reação muito cuidadosamente", disse uma autoridade britânica. "É deliberada, é considerada."

A Grã-Bretanha espera que sua decisão de expulsar quatro diplomatas russos e suspender as discussões com Moscou sobre a simplificação de regras para vistos enviará a Moscou um forte sinal de que a falta de cooperação nas investigações criminosas não será mais tolerada. Mas as autoridades britânicas também estão se preparando para expulsões recíprocas de diplomatas britânicos na Rússia.

DENTE POR DENTE
Janeiro de 2006A Rússia acusa quatro diplomatas britânicos de espionagem, mas não exige sua expulsão.
Maio de 1996A Rússia expulsa nove diplomatas britânicos que supostamente formariam um grupo de espionagem. A Grã-Bretanha expulsa quatro diplomatas russos.
Abril de 1994A Grã-Bretanha expulsa um diplomata russo em retaliação pela expulsão por Moscou de um homem descrito como chefe da inteligência britânica na Rússia.

Embora seja altamente improvável que Moscou mande Lugovoi para o Reino Unido, muitas autoridades britânicas acreditam que foi crucial para Londres deixar claro que no futuro nem ela nem seus parceiros aceitarão que a Rússia "exporte ilegalidade" para outros países.

As autoridades britânicas reconhecem que a Rússia é proibida por sua Constituição de extraditar indivíduos de nacionalidade russa. Mas dizem que diante da seriedade do assassinato de Litvinenko Moscou poderia e deveria ter encontrado um mecanismo legal que lhe permitisse responder ao pedido de extradição.

Elas acrescentaram que aceitar a oferta da Rússia de realizar seu próprio julgamento de Lugovoi, caso o Reino Unido desse evidências suficientes, poderia ter diluído a crise. Mas o Ministério do Interior e o Serviço de Promotoria da Coroa decidiram que não havia garantias suficientes de que o julgamento russo seria justo e imparcial.

O Reino Unido e a Rússia são signatários da Convenção Européia sobre Extradição de 1957. As autoridades russas dizem que segundo a convenção um cidadão pode ser extraditado se houver evidências de culpa, e se tiver cometido o que se considera ofensa criminal nos dois países, mas somente se a extradição não contrariar as leis do país requerido. Elas acrescentam que em todo caso a Grã-Bretanha não forneceu evidências suficientes.

Londres espera que as autoridades de outros países europeus também discutam o caso Litvinenko com os russos, apesar de preocupações em algumas capitais européias de que a disputa possa aumentar. Além disso, Londres vê a disputa como mais terreno para reservas nas negociações sobre um novo acordo amplo com a Rússia.

O RASTRO DO VENENO
1º de novembro de 2006Alexander Litvinenko encontra dois homens russos em um hotel em Londres; adoece.
23 de novembroLitvinenko morre de envenenamento radiativo.
5 de dezembroPromotores russos dizem que vão interrogar o ex-guarda-costas da KGB Andrei Lugovoi.
22 de maio de 2007Promotores britânicos citam Lugovoi como o homem que assassinou Litvinenko.
28 de maioA Grã-Bretanha confirma o pedido formal de extradição de Lugovoi.
5 de julhoMoscou se recusa a extraditar Lugovoi.
16 de julhoLondres anuncia a expulsão de quatro diplomatas russos.

As negociações européias continuam estagnadas por causa de objeções da Polônia e da Lituânia, que obtiveram o apoio de outros países europeus este ano, depois de um discurso combativo de Putin em fevereiro e a continuação do impasse entre Moscou e Washington sobre os planos americanos de instalar bases de mísseis de defesa na Europa Central.

No entanto, muitos diplomatas europeus enfatizam seu desejo de trabalhar com a Rússia sobre a situação definitiva de Kosovo e um novo conjunto de sanções contra o programa nuclear do Irã - duas questões que estão atualmente no Conselho de Segurança da ONU.

Especialistas em política externa da Rússia não esperam que o caso Litvinenko prejudique os debates sobre Kosovo ou o Irã.

Fyodor Lukyanov, editor para Rússia na revista "Global Affairs", diz que a oposição de seu país a um plano internacional para preparar Kosovo para a independência é uma questão de princípios, e não uma posição de barganha destinada a obter algum tipo de concessão do Ocidente.

No entanto, a dificuldade das atuais relações entre Moscou e os países da Otan foi salientada no fim de semana, quando a Rússia avisou que suspenderia o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, um importante acordo sobre controle de armas.

Moscou denuncia o Ocidente por não ratificar o acordo revisado, enquanto a Otan diz que a Rússia deve primeiro retirar suas tropas da Moldova, um país soberano.

"O caso Litvinenko é 'sui generis'; ele teria provocado uma reação de qualquer um", disse um diplomata ocidental. "Mas neste momento não há muita boa vontade em relação aos russos. ... Ter alguém envenenado em seu território, ninguém poderia aceitar isso sem reagir." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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