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19/07/2007

Reator japonês não foi construído para suportar terremoto de tamanha magnitude

Financial Times
David Pilling
Em Tóquio
A maior usina nuclear do mundo, que foi atingida por um terremoto de 6.8 de magnitude nesta semana, não foi projetada para agüentar tamanhos tremores e pode ter sido construída diretamente sobre uma falha ativa, admitiu a companhia operadora ontem.

As revelações podem gerar novas preocupações em relação à sabedoria de se construir reatores em uma das zonas mais sismicamente ativas do mundo. Mais de 50 usinas nucleares fornecem cerca de 30% da eletricidade do Japão.

A Tokyo Electric Power (Tepco) ontem se desculpou por subestimar a quantidade de água radioativa que vazou da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa para o mar, após o terremoto que atingiu a província de Niigata na segunda-feira (16/7) de manhã. Houve erro de cálculo, disse.

Mesmo um vazamento maior - cerca de 50% acima da estimativa original - não impôs risco ambiental, segundo a empresa. Funcionários da segurança nuclear encontraram baixos níveis de radioatividade no ar perto dos pontos de ventilação.

A agência de fiscalização nuclear e a prefeitura de Kashiwazaki disseram que a usina não voltará a funcionar até que as autoridades possam garantir sua segurança. Hiroshi Ainda, prefeito de Kashiwazaki, disse que será "difícil reiniciar a usina em seu atual estado".

Akira Fukushima, vice-diretor geral de segurança da agência de segurança nuclear, disse que houve 50 acidentes e problemas de funcionamento na planta após o terremoto.

"Foi descoberto que muitos desses acidentes ocorreram porque a planta foi originalmente projetada para suportar tremores de menor magnitude do que o que de fato aconteceu", disse ele. "É possível que o epicentro da falha corra por baixo da planta".

A Tepco neste ano havia assegurado aos moradores da região que a planta não fora construída em zona sismicamente ativa.

Fukushima disse que o fechamento automático dos reatores ocorrera "exatamente como projetado", acrescentando: "Até agora, não encontramos qualquer anormalidade ou irregularidade considerada crítica à segurança."

Akira Amari, ministro do comércio, criticou ontem a Tepco por seu atraso em divulgar informações sobre o vazamento e sua lenta resposta a um incêndio próximo a um dos reatores.

Mohamed ElBaradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, instou o Japão a ser transparente em sua investigação, dizendo que sua agência estava pronta a colaborar, caso convidada. Deborah Weinberg

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