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23/07/2007

Diga 'não' ao novo culto administrativo do 'sim'

Financial Times
Qual palavra é mais usada pelas pessoas bem-sucedidas: sim ou não? Eu sei que a pergunta parece idiota. Ambas as palavras são úteis, depende do que é perguntado. Mas se eu pensar nas perguntas que me foram feitas nas últimas 24 horas, um padrão começa a surgir.

- Você está livre para almoçar com um cliente meu em setembro?

- Neste caso, que tal um café com ele em algum momento em 2008?

- Você leu meu e-mail?

- Posso colocar um piercing no umbigo?

- Posso ficar acordada para assistir o 'Big Brother'?


As respostas para estes pedidos são não, não, não, não e não, respectivamente. A única pergunta para a qual respondi 'sim' nas últimas poucas horas foi "Você quer uma Coca-Cola diet da máquina?"

Para pessoas em qualquer posição de autoridade, a capacidade de dizer não é a habilidade mais importante que existe. Todos os bons pais devem dizê-lo com freqüência. Assim como todos os bons administradores. "Não, você não pode ter um aumento". "Não, você não será promovido". "Não, você não pode viajar de primeira classe". "Não, nós não vamos a um curso em um retiro para discutir nossos valores básicos".

É claro, administradores também devem ser capazes de dizer 'sim', caso contrário suas organizações murchariam e morreriam. Mas 'não' é a norma, a regra básica, enquanto 'sim' é para ocasiões especiais ("Sim, você pode ter um aumento". "Sim, sua idéia é brilhante".).

Colocando desta forma soa banal, apesar de na verdade ser uma heresia. Um amor ilógico pelo 'sim' é a base de todo o pensamento administrativo moderno. O administrador moderno ideal deve ser permissivo, fortalecedor, encorajador e acalentador, o que significa que sua posição natural deve ser 'sim'. Por outro lado, 'não' é considerado desmotivador, não criativo e algo ruim em geral.

Mesmo administradores sensíveis alegam apoiar tal visão. Allan Leighton, que, como presidente do Correio Real, está audaciosamente dizendo 'não' às exigências dos funcionários (que, por sua vez, estão respondendo 'não' à entrega da minha correspondência), professa acreditar no 'sim'. Em um recente café da manhã ele foi ouvido zombando do 'incrível homem-não' e das 'unidades de prevenção de negócios'.

Uma visita à loja online Amazon.com confirma quão disseminado é o culto ao 'sim'. Há muitos títulos básicos -Yes! (Sim!); 'Getting to yes' ('Como chegar ao sim'); 'The power of yes' ('O poder do sim') e 'The answer to how is yes' ('A resposta para como é sim').

Para as mentes matemáticas há: 'Three steps to yes" ('Três passos para o sim') e 'The sevenfold yes" ('As sete vezes sim').

E para os religiosos há 'God said yes' ('Deus disse sim') e 'Finding your
greater yes' ('Encontrando seu sim superior'). Para os gostos mais duvidosos há 'Fuck yes', enquanto para públicos especializados a escolha é ilimitada, incluindo "Oh yes you can breastfeed twins" ('Sim, você pode amamentar gêmeos').

Em comparação, a oferta de 'não' é escassa e os títulos são escusatórios: "The power of a positive no' ('O poder do não positivo'). Infelizmente, não é atrás de um 'não' positivo que estamos. Nós precisamos saber dizer um não negativo com confiança. Na semana passada, me foi enviado um livro com uma capa branca e a palavra 'NÃO' na frente em grandes letras pretas. Abaixo dele estava escrito: "O único sistema de negociação que você precisa para o trabalho e o lar".

Viva, eu pensei. Talvez o 'não' esteja prestes a voltar. Mas uma análise mais minuciosa do livro mostrou que ele era um manual de negociação, algo que já existe demais.

A escassez de conselhos sobre dizer não é particularmente ruim quando você considera quão difícil é dizer a palavra. Por outro lado, sim é fácil, já que é geralmente o que a outra pessoa deseja ouvir.

Na verdade, provavelmente é melhor eu ser sincero e dizer que não disse apenas cinco nãos.

Eu não disse não ao café em 2008, já que não consegui ser tão franco; em vez disso, eu simplesmente nem respondi. E quanto ao pedido do 'Big Brother', o que eu disse na verdade foi "não, não, eu disse não! NÃO! (...) Mas que raios, tudo bem, faça o que quiser. Apenas pare de fazer este barulho horrível".

Spam espiritual

"XX e YY são os pais orgulhosos de uma menina (ainda sem nome!) que chegou no prazo, às 4h51 da manhã, pesando 4,05 kg! XX está cansada, mas feliz."

O nascimento de qualquer bebê de escritório é marcado pelo envio de um e-mail interno que é cheio de pontos de exclamação, piadas sem graça e detalhes não essenciais, mas ainda assim são agradáveis.

Na semana passada, o e-mail de bebê recebeu uma nova variação quando o executivo-chefe da Vizi Media, uma agência californiana, enviou e-mail para toda sua agenda de contatos para dizer que sua 'número dois' teve um bebê. Após os detalhes regulamentares, ele acrescentou: "Nosso setor é freqüentemente febril, às vezes um pouco egoísta, de forma que faz bem para nossas almas nos voltarmos para algo que nos guiará na direção certa. Uma nova criança neste mundo é uma destas ocasiões".

Este executivo-chefe precisa aprender a dizer 'não'. Não ao lotar a caixa de entrada de estranhos. Não ao spam espiritual. Não à lógica falha de que o nascimento do filho de alguém que não conhecemos aponta nossas almas em qualquer direção, muito menos a certa.

A única coisa que pode ser dita em sua defesa é que ele disse 'não' à mais lamentável nova tendência do e-mail de bebê de escritório: anexar uma foto digital da mãe e bebê suados e amarrotados minutos após o parto -uma visão que não costumava ser considerada adequada nem para o pai do bebê, muito menos para todo o escritório. George El Khouri Andolfato

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