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26/07/2007

Lula demite ministro após acidente aéreo

Financial Times
John Rumsey
Em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu na terça-feira seu ministro da Defesa, Waldir Pires, o ex-chefe do sistema de aviação civil do Brasil, depois do acidente aéreo da semana passada no aeroporto de Congonhas em São Paulo. Seu governo também pretende fazer mudanças na alta direção da Infraero, que é responsável pela infra-estrutura do sistema de aviação do país.

O número de mortos na explosão do Airbus da TAM, que deverá ultrapassar 200, provocou uma onda de revolta pública e o caos em todo o espaço aéreo brasileiro. Na última terça-feira, mais da metade de todos os vôos programados no Brasil foram cancelados ou atrasados e a TAM desviou ou cancelou 90 vôos.

A companhia aérea Gol sugeriu que os clientes esperem até o fim do mês para viajar, para que os horários possam ser normalizados. O sistema de aviação também sofreu blecautes de radar na Amazônia, a recusa de pilotos a usar o aeroporto de Congonhas, que funciona apenas parcialmente, e a decisão da TAM de dizer a seus pilotos para não pousar sob chuva.

Pires será substituído por Nelson Jobim, 61, um ex-presidente da Suprema Corte, que inicialmente recusou a oferta mas mudou de idéia depois de pressões de Lula e aceitou o cargo na noite de terça-feira. A notícia foi considerada boa pelo setor.

O octogenário Pires foi amplamente considerado ineficaz na reação ao acidente da Gol em setembro do ano passado, em que 154 pessoas morreram, e ao mais recente desastre da TAM, graças a aparições públicas hesitantes e pouca ação concreta.

"Se tivesse algum respeito próprio, Pires teria se demitido no ano passado depois do acidente da Gol", disse David Fleischer, um cientista político da Universidade de Brasília.

Jobim tem influência e o respeito do presidente, disse Christopher Garman, diretor para América Latina do Eurasia Group em Nova York. Jobim também deve ser mais receptivo ao envolvimento do setor privado na indústria, disse Garman. Agora o governo está considerando envolver o setor privado através de concessões na infra-estrutura aeroportuária do Brasil.

José Carlos Pereira, presidente da Infraero, também foi indicado para substituição pela mídia local. Seu provável substituto é o ex-senador Fernando Bezerra, um alto membro do PMDB, que segundo Fleischer não deverá ser melhor, pois não tem experiência no setor.

Os erros da Infraero estão sendo revelados conforme o acidente é investigado e Pereira sai prejudicado, pois recusou ofertas de ajuda da comunidade aeronáutica internacional.

A Infraero declinou o uso do concreto poroso, mais caro, recomendado nas reformas recém-realizadas na pista de Congonhas, preferindo o asfalto, mais barato; reabriu a pista apesar de não ter instalado um sistema de ranhuras (grooving) para drenar a água da chuva; e não comprou equipamento moderno de orientação de pouso.

O governo agora anunciou que vai comprar esse equipamento para cinco dos principais aeroportos do Brasil, ao custo de US$ 10 milhões.

O governo também estaria procurando reforçar a administração do Conac, a autoridade de aviação civil, que será responsável pela implementação das medidas para aperfeiçoar a aviação. Os planos a longo prazo incluem a possibilidade de construir um novo aeroporto na região de São Paulo, idéia que Lula está estudando. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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