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09/08/2007

Presidente do Senado do Brasil sofre pressão para deixar o cargo

Financial Times
Jonathan Wheatley
Em São Paulo
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente pediu ao presidente do Senado brasileiro que renunciasse, três meses depois do início de um escândalo de corrupção que ameaça descarrilar o programa legislativo do governo.

Ueslei Marcelino / Folha Imagem 
Isolado, Renan Calheiros permanece na presidência do Senado

Renan Calheiros vem se segurando à presidência do Senado desde maio, quando surgiram evidências de que um funcionário de uma empresa de construção estava entregando dinheiro a uma mulher com quem ele tinha um caso. Várias outras acusações se seguiram.

Seu apoio no Congresso é tal que a oposição a princípio fez apenas sugestões discretas para que deixasse o cargo. Com o surgimento de novas evidências, porém, os senadores da oposição ameaçaram congelar os trabalhos do Senado se ele não renunciar.

Lula disse: "Nenhum caso individual, independentemente de quão importante, pode interferir com a votação de questões de importância ao país".

"A posição de Renan está ficando mais complicada a cada dia", disse José Augusto de Castro Neves, consultor político. "Não é do estilo de Lula dizer diretamente para ele sair - mas está claro que o governo retirou seu apoio e vai permitir que caia sozinho".
A NAMORADA: Calheiros admite que um funcionário de uma empresa de construção fez pagamentos a uma ex-jornalista com quem o senador casado estava tendo um caso. A empresa executa obras públicas que dependem de emendas do orçamento sob seu controle.

A CERVEJARIA: segundo a imprensa, o presidente do Senado agiu junto a autoridades da receita em favor de uma cervejaria que comprara uma fábrica de refrigerantes dele a um preço considerado inflado de R$ 27 milhões.

AS ESTAÇÕES DE RÁDIO: reportagens dizem que usou laranjas para comprar duas estações de rádio (que os políticos são proibidos de deter), por R$ 2,5 milhões.
AS ALEGAÇÕES


Calheiros negou todas as alegações. Ele diz que vai ficar no cargo "até o fim". Muitos estão surpresos com sua resistência, mas seu poder está sendo fortemente testado pela ameaça que sua presença impõe à agenda legislativa do governo.

Dois projetos de lei de grande importância para o governo estão no Senado. Um renovaria a CPMF: um imposto sobre transações financeiras que arrecada cerca de R$ 35 bilhões por ano e também é instrumento poderoso contra a evasão de impostos. O outro renovaria uma medida para liberar a disposição de gastos federais de cerca de R$ 26 bilhões. Cada um requer a maioria de três quintos nas duas casas do Congresso. Nenhum poderia ser aprovado sem votos da oposição.

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