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13/08/2007

No aniversário de Fidel, Cuba se volta para o irmão Raúl em busca de reformas

Financial Times
De Marc Frank
Em Havana
Fidel Castro completa 81 anos nesta segunda-feira, sem dúvida esperando celebrar outro aniversário ainda capaz de se fazer ouvir em casa e no exterior e com sua revolução se arrastando pelo caminho traçado.

 Javier Galeano - 26.jul.2007/AFP 
Na ausência do irmão, Raúl discursa durante o aniversário da revolução, em julho


Mas Raúl Castro, desde que assumiu "temporariamente" o posto de seu irmão, tem provocado um debate sem precedente dentro do sistema sobre como promover o avanço de Cuba.

Fidel certamente fez o mesmo desejo de aniversário no ano passado, após a primeira de uma série de cirurgias abdominais que o afastaram do poder após 47 anos. Ele foi atendido.

O "Comandante e Chefe" exibiu uma recuperação notável, a ponto de ser consultado sobre importantes assuntos de Estado e escrever duas vezes por semana uma coluna de "reflexões" sobre as questões atuais. Não houve mudanças drásticas na direção de Cuba, mas por quanto tempo?

Uma comissão sobre questões envolvendo a propriedade socialista está estudando arduamente a teoria econômica marxista, sua aplicação histórica e como poderia ser aplicada para melhorar o desempenho econômico de Cuba.

"Eu estou feliz por Fidel estar melhor, mas estou mais interessado no outro Castro, mais ativo", disse recentemente um assessor de um ministro cubano.

Isto vale para a maioria dos cubanos, especialmente desde que Raúl fez um discurso em 26 de julho - feriado que marca a primeira ação armada de Fidel em 1953-, que aumentou a esperança deles.

Alejandro Ernesto/EFE
Os discursos de Raúl Castro, fizeram Cuba ficar mais interessada em uma reforma conceitual por uma país mais ativo
Raúl disse que a agricultura cubana precisa de reforma "estrutural e conceitual", reconheceu que os salários pagos pelo Estado não são suficientes para a sobrevivência mesmo com os preços controlados pelo Estado e disse que mais investimento estrangeiro é necessário para melhorar a produção.

Aquilo soou bastante diferente de uma das recentes reflexões de Fidel. "De um ano para outro o padrão de vida pode ser melhorado com um aumento do conhecimento, da auto-estima e da dignidade das pessoas. Basta reduzir o desperdício e a economia crescerá", ele escreveu.

A sombra 'filosófica' do indomável revolucionário
Será que Raúl está preparado para se desviar de tal caminho, se perguntam muitos cubanos. E quanto a Fidel?

Fidel parece uma sombra da antiga figura indomável em vídeos editados. Ele não é visto em público há mais de um ano e se queixou em uma de suas recentes colunas que era um grande esforço se arrumar para receber convidados estrangeiros, dar entrevistas e posar para fotos em seu agasalho esportivo Adidas. Seu paradeiro e qual é exatamente seu problema de saúde permanecem segredos de Estado.

"O Comandante e Chefe se tornou o 'Filósofo e Chefe'", disse Julia Sweig, diretora de estudos latino-americanos do Conselho de Relações Exteriores, em Washington.

"Enquanto continuarmos vendo ele em roupa de ginástica -uma espécie de versão latino-americana de traje de lazer de aposentado- ele sinalizará que não retomará o comando. Mas sua influência permanece enorme."

Alejandro Ernesto/EFE
Qual será o paradeiro da antiga figura indomável, o 'Comandante e Chefe'?
As autoridades cubanas não falam mais na volta de Fidel ao poder, mas em sua contínua presença para ajudar a guiar o país. Outra forma de olhar para isto é dois homens balançando em um processo revolucionário gangorra. O peso claramente se deslocou para Raúl, a pergunta é quanto e o que isto pressagia.

Há um ano Raúl era um elemento notavelmente desconhecido para um homem que foi o segundo na hierarquia cubana por quase meio século, mas aqueles que o acompanham acreditam que ele demonstrará sua própria competência e o quanto é diferente de seu irmão.

"Se a revolução puder ser pensada como uma obra dramática, então Fidel é seu diretor e Raúl o produtor", disse Brian Latell, que observa os irmãos Castro há décadas para a CIA e recentemente escreveu o livro 'After Fidel (Após Fidel)'.

"Fidel é um visionário -o irmão brilhante, impulsivamente criativo, astuto, mas completamente desorganizado. Raúl é o gerente, o administrador, o planejador racional -o único homem realmente indispensável no empreendimento e uma pessoa muito mais pragmática."

Os cubanos estão ávidos por mudança após a crise que se seguiu ao fim da União Soviética, mas aparentemente não têm planos para se rebelarem. Em vez disso, eles querem um pedaço maior da ação.

As novas relações comerciais com a China e os esquemas de integração com a Venezuela, rica em petróleo, resultaram na injeção de bilhões na infra-estrutura em colapso, mas de pouca ajuda para o dia-a-dia, onde é difícil ganhar o pão de cada dia, a produtividade permanece abismal e a burocracia comunista combinada com a falta de transporte transforma a mais simples viagem em uma tarefa árdua.

Raúl, assim como as autoridades mais jovens que em breve ocuparão seu lugar, sabe que os cubanos desejam uma vida melhor, mais realista, produtiva e racional. Os jovens em particular não querem esperar pela morte de Fidel para que seus novos líderes lhes dêem isto.

"Os raulistas entendem que reforma é necessária caso o governo pós-Fidel queira se consolidar", disse Frank Mora, um especialista em Cuba do Colégio Nacional de Guerra, em Washington.

"Quase parece que eles estão tentando descobrir onde está a linha divisória considerada aceitável para Fidel em termos de reforma e debate sobre as questões urgentes de Cuba." George El Khouri Andolfato

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