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14/08/2007

Arquiteto luta pela nova Jerusalém

Financial Times
Sharmila Devi
O nome de Moshe Safdie, o arquiteto de renome internacional, é sinônimo dos modernos prédios nacionais de Israel, como o Museu do Holocausto, o Centro Memorial Yitzhak Rabin e o aeroporto.

Ele escolheu os seus contratos cuidadosamente, recusando-se a projetar qualquer estrutura nos territórios palestinos ocupados por Israel. Mas Safdie está sendo arrastado contra a sua vontade para uma polêmica nacional, carregada de tonalidades políticas, a respeito do futuro de Jerusalém.

Ele diz que uma mistura de indivíduos de direita que alegam ter o direito de posse sobre a Grande Terra de Israel e de ativistas verdes frustrou o seu projeto de expandir Jerusalém em locais distantes das áreas palestinas. A sua idéia é centrar tal expansão mais profundamente no oeste de Israel, onde, segundo ele, está o futuro da cidade.

O "Plano Safdie" foi cancelado no início deste ano já que os israelenses estão decidindo se e quando dividirão a terra, incluindo Jerusalém, com os palestinos.

"Os verdes apelidaram a idéia de 'Plano Safdie' porque é mais fácil lutar desta forma", afirma o arquiteto. "Acredito que a expansão de Jerusalém para o oeste seja inevitável, seja segundo este plano seja de forma ad hoc. Muitos oponentes do plano estavam secretamente de olho no leste devido a razões políticas".

Safdie ficou conhecido aos 24 anos com o seu projeto habitacional semelhante a casas de Lego denominado Habitat 67, em Montreal. Além do seu trabalho em Israel, o "urbanista engajado" projetou um museu para os sikhs na Índia e um novo Instituto de Paz dos Estados Unidos, em Washington, D.C.

Na sua nativa Israel, ele parece gerar tanto exasperação quanto orgulho com o seu trabalho ganhador de tantos prêmios. "Eu disse sistematicamente 'não' às propostas envolvendo construções nos assentamentos em territórios palestinos. Mas os meus pontos de vista, que eu suponho que sejam de esquerda no que se refere à potencial cooperação com os palestinos, jamais foram levados a sério pelo governo".

Jerusalém Oriental, uma zona árabe, foi anexada por Israel após a guerra de 1967, em uma medida que não é reconhecida internacionalmente. Atualmente cerca de 450 mil colonos judeus vivem na zona leste da cidade, e o restante no território ocupado da Cisjordânia.

Mais recentemente, Israel construiu a barreira de separação na Cisjordânia, parte de um muro de concreto de oito metros de altura isolando os bairros palestinos de Jerusalém.

"Eu lamento a construção desse muro. Sinto uma tristeza profunda", afirma Safdie. "Avaliei a questão da segurança, mas como arquiteto vejo o dano causado a vilas e comunidades. Essa é a expressão mais real de onde nos situamos politicamente neste momento".

Uma das cidades mais pobres de Israel, Jerusalém abriga grandes comunidades judaicas ultra-ortodoxas e árabes. Vários israelenses seculares trocaram a cidade por zonas litorâneas como Tel Aviv. Os palestinos de Jerusalém Oriental, que contam com carteiras de identidade israelenses, mas não com a cidadania, pagam impostos municipais. Mas os serviços israelenses de ônibus e de coleta de lixo são quase inexistentes na zona árabe, na qual a pobreza é palpável.

Enquanto isso, as obras prosseguem em Jerusalém Ocidental. A primeira fase de um projeto residencial e comercial de luxo de US$ 400 milhões na área de Mamilla, próxima à histórica Cidade Antiga, foi inaugurada no início deste ano. "Eu elaborei esse projeto 25 anos atrás, literalmente há um quarto de século", diz Safdie. Parte do atraso se deve à oposição dos judeus ultra-ortodoxos a um centro comercial tão próximo de locais sagrados para eles, como o Muro das Lamentações.

De uma forma ainda mais polêmica, a cidade está construindo um sistema de ferrovia leve para conectar os bairros de colonos construídos em terra árabe capturada ao centro da cidade. A Veolia Transportation, da França, venceu a licitação para construir a ferrovia, que deverá começar a funcionar em 2009.

Os ativistas palestinos não conseguiram impedir o projeto e citam Eyal Weizman, um arquiteto teórico israelense, que acusa o Estado de usar a arquitetura e as obras de infra-estrutura como armas de guerra.

Safdie, que se opõe às medidas de arquitetos britânicos no sentido de impor um boicote a Israel, acredita em um acordo de paz de dois Estados. "Neste momento o Oriente Médio é um local bastante desencorajante. Tudo o que podemos fazer é esperar por um governo norte-americano que aja de forma mais preventiva porque a passividade dos Estados Unidos, até o momento, não tem sido boa para nós". UOL

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