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25/08/2007

Sharif volta ao Paquistão decidido a enfrentar os militares

Financial Times
Farhan Bokhari
Em Islamabad
A ascensão de Nawaz Sharif ao poder no Paquistão contou com o apoio dos militares, que agora são vistos como seu principal adversário político. Mas sua vitória na Suprema Corte esta semana, permitindo que ele retorne do exílio, provocou pedidos de muitos paquistaneses para que ele se torne um agitador público em defesa de seus interesses.

Esse papel colocaria Sharif inevitavelmente contra o establishment governante liderado pelos militares - e o general Pervez Musharraf, que deverá tentar outro mandato presidencial de cinco anos no mês que vem.

"As novas linhas de batalha são traçadas entre Nawaz Sharif e seu pessoal e o general Musharraf, com os militares por trás", disse um diplomata ocidental.

Luke MacGregor/Reuters 
Sharif disse que retornaria ao Paquistão "logo que possível" durante entrevista em Londres

Em todo o Paquistão ontem, defensores de Sharif ofereceram orações de agradecimento enquanto seu partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N na sigla em inglês) começava os preparativos para sua volta.

Sharif, 57, que deixou o Paquistão depois de ser deposto pelo general Musharraf em um golpe em 1999, parece pouco inclinado a aceitar a influência dos militares para decidir seu futuro político.

Isso está muito distante do tempo em que o filho de uma família de industriais de Lahore entrou na política, conquistando proeminência nacional quando foi levado ao governo provincial do Punjab nos primeiros dias da lei marcial do general Zia ul-Haq.

O falecido ditador militar Zia tomou o poder em 1977 e iniciou um governo polêmico de 11 anos, enforcando o primeiro-ministro que ele derrubou, Zulfikar Ali Bhutto - o pai de Benazir Bhutto, líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP)-, em uma acusação de assassinato fraudulenta.

Naquele tempo, lembra um ex-general, Sharif era "uma figura completamente embutida nas fileiras dos políticos pró-militares". De ministro das Finanças Sharif chegou a ministro-chefe do Punjab em 1988. No mesmo ano Zia morreu em um acidente aéreo e Bhutto tornou-se a primeira mulher primeira-ministra do mundo muçulmano - com Sharif como seu principal adversário político.

Os dois continuaram rivais durante os anos 1990, cada qual servindo duas vezes como primeiro-ministro durante a década, mas foram removidos do cargo sob acusações de corrupção.

Uma batalha de oito anos com o governo militar do general Musharraf reforçou o perfil de Sharif até ele se tornar um dos poucos políticos importantes na definição dos rumos do Paquistão na volta à democracia. "A questão agora é: como Sharif vai jogar suas cartas?", disse Shahid Masood, um comentarista político do canal de TV GEO do Paquistão.

No Punjab, a maior província do Paquistão, onde vivem 60% de sua população, bolsões de eleitores do PML-N foram fortemente revitalizados, especialmente em Lahore, a capital provincial e cidade natal de Sharif, onde provavelmente ele voltará a morar.

Seus amigos gostam de citar sua longa história política. "No mínimo, Sharif deve saber que confrontar os militares poderá significar um banho de sangue nas ruas. Ele desejaria criar mais caos, quando este país claramente precisa de estabilidade?", perguntou um amigo da família.

Nas últimas semanas, Sharif e Bhutto deram sinais de nova rivalidade depois que Bhutto - para decepção do campo de Sharif - se encontrou secretamente com Musharraf em Abu Dabi para discutir a volta dela do exílio, possivelmente em uma função de poder. Sharif poderá tentar capitalizar a percepção de que ela se vendeu ao general.

Importantes figuras políticas estão conscientes de que sem uma frente comum nem Sharif nem Bhutto tem probabilidade de enfrentar os militares com sucesso.

"À parte a retórica contra Bhutto, Sharif sabe que não pode fazer um retorno ousado sem que toda a oposição, incluindo o PPP, esteja unida", disse um amigo do líder do PML-N. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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