UOL Notícias Internacional
 

27/08/2007

Aprofundamento da crise aérea derruba diretora de aviação do Brasil

Financial Times
De Jonathan Wheatley
Em São Paulo
Cresce a pressão por uma reforma da aviação civil brasileira, após um ano de uma crise que custou 353 vidas em dois acidentes e causou amplo caos nos aeroportos do país.

 Ueslei Marcelino / Folha Imagem  
Ex-diretora da Anac, Denise Abreu não resistiu às investigações do Congresso


O mais recente desdobramento levou à renúncia na sexta-feira de Denise Abreu, uma diretora da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil). Ela caiu horas após os procuradores pedirem a sua suspensão durante as investigações de supostas infrações civis e criminais na condução da crise.

Anteriormente, Nelson Jobim, o novo ministro da Defesa que é responsável pela aviação civil, deu início aos procedimentos para que todos os diretores da Anac fossem afastados e pediu uma ampla reforma, incluindo um aumento do limite na participação estrangeira nas companhias aéreas de 20% para 49%.

A mais recente comoção surgiu em torno das alegações de que Denise Abreu, deliberadamente, enganou uma juíza em uma audiência no mês de fevereiro, que decidiria se a pista principal do aeroporto de Congonhas, na região central de São Paulo - conhecida por ser curta e escorregadia - devia ser reaberta para jatos de passageiros.

Em uma audiência anterior, a pista foi fechada para certos tipos de aeronaves após várias terem derrapado ao pousar. Em fevereiro a restrição foi suspensa depois que Abreu apresentou o que disse ser uma diretriz da Anac às companhias aéreas, ordenando que as aeronaves só pousassem em Congonhas com uso pleno do reverso tão logo tocassem o solo.

Denise Abreu reconheceu em uma audiência no Congresso na semana passada que a diretriz não tinha caráter oficial. Em 17 de julho, um Airbus A320 operado pela TAM, a maior companhia aérea brasileira, varou a pista enquanto tentava pousar sob chuva e colidiu contra um prédio de carga, matando 199 pessoas. Um de seus reversos estava inoperante, apesar de tanto a TAM quanto a Airbus terem dito que isto não contribuiu para o acidente.

As causas do acidente ainda são desconhecidas. Mas os pilotos de 11 aeronaves que pousaram em Congonhas no dia anterior ao acidente teriam relatado para a polícia que experimentaram dificuldades em pousar sob chuva. Dois disseram que quase vararam a pista e um terceiro, que pilotava um avião menor, derrapou para a margem dela.

A pista foi reaberta no final de junho após obras para melhorar sua aderência. Mas os groovings (ranhuras) que visam ajudar a escoar a água da chuva não foram concluídos.

A investigação do Congresso também acompanhou minutos de uma reunião em dezembro entre os diretores da Anac e das companhias aéreas do Brasil na qual a segurança de Congonhas foi discutida. Os diretores de três companhias aéreas presentes, TAM, Gol e BRA, expressaram preocupações com a dificuldade em pousar no aeroporto paulistano e pediram por mais informações sobre as condições da pista.

Denise Abreu não respondeu aos pedidos de entrevista e as companhias aéreas se recusaram a comentar.

Além da abertura do setor para mais investimentos estrangeiros, que ajudaria a capitalizar o setor, o ministro Jobim pediu um maior controle e inspeção da manutenção das aeronaves e das horas de trabalho das tripulações. George El Khouri Andolfato

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