UOL Notícias Internacional
 

04/09/2007

Invasões virtuais geram verdadeiros temores

Financial Times
Demetri Sevastopulo
Em Washington
Teh Eng Koon/AFP - 2.ago.2007 

O general Robert Elder, oficial da aeronáutica americana para questões de ciberespaço, recentemente brincou que a Coréia do Norte "deve ter só um laptop", ao marcar seu ponto mais sério, que todo adversário potencial - exceto Pyongyang - rotineiramente entra nas redes de computador americanas.

A Coréia do Norte talvez seja impotente no ciberespaço, mas sua vizinha não. Os militares chineses provocaram arrepios na coluna do Pentágono em junho, entrando em uma rede não secreta usada por assessores políticos de Robert Gates, secretário de defesa.

O Exército de Libertação do Povo vem tentando invadir as redes do Pentágono centenas de vezes por dia nos últimos anos, e os EUA estão cada vez mais alarmados com a crescente freqüência e sofisticação dos ataques.

O Pentágono passou vários meses protegendo-se dos ataques, até que o ELP penetrou em seu sistema, que foi fechado por mais de uma semana para diagnóstico.

Enquanto as autoridades temem que a China possa ter baixado informações, estão ainda mais preocupadas com as ramificações estratégicas.

Um alto oficial americano disse que "não há dúvidas" que a China estava monitorando o tráfego de e-mails em redes não secretas do governo.
CONTROLE SOBRE A REDE
Reuters
Desenho da Secretaria de Segurança Pública de Pequim com "policiais virtuais", símbolo da ação chinesa no combate à pornografia na Internet e outras "atividades ilícitas"
PAÍSES QUE CENSURAM A WEB
RESISTÊNCIA NA INTERNET


Profissionais de inteligência dizem que a China encontrou uma forma simples de compensar sua falta de experiência em recrutar espiões não chineses nos EUA.

A China também foi apontada fora de Washington. O premiê chinês, Wen Jiabao, em recente conferência para a imprensa com Angela Merkel, chanceler da Alemanha, expressou "grave preocupação" com relatos de que o ELP tinha usado "cavalos de tróia" para inserir programas de espionagem nas redes do governo alemão.

A doutrina militar chinesa ressalta a importância do ciberespaço, mas muitos outros países, inclusive os EUA, engajam-se em invasão eletromagnética.

Neste ano, por exemplo, a Estônia acusou a Rússia de orquestrar um amplo ataque, que prejudicou temporariamente as redes do governo.

O Conselho de Ciência de Defesa, grupo consultor independente do Pentágono, em breve publicará um estudo sobre desafios militares não convencionais, examinando inclusive as ameaças na Internet.

Um ex-oficial americano disse que os EUA tinham feito conquistas na área, mas que mais precisava ser feito.

A aeronáutica americana em breve criará um comando de combate de guerra no ciberespaço, para melhorar suas capacidades de defesa e de ataque e assim combater essas ameaças assimétricas. "Queremos garantir que podemos operar livremente nesse domínio", disse o general Charles Ickes, outro alto oficial da aeronáutica envolvido em questões do ciberespaço. "Por outro lado... todo mundo no departamento de defesa vê isso como uma guerra em que você tem que ter capacidade ofensiva".

General Ickes diz que os militares precisam garantir que suas ações não afetem inadvertidamente os sistemas de computador civis. Michael Green, ex-assessor do presidente Bush, deu um exemplo em que o Pentágono teve que considerar as ramificações legais, quando ia lançar um vírus em um hacker.

Em um mundo cada vez mais interconectado, os governos precisam considerar uma gama ainda maior de ameaças na rede, inclusive ataques terroristas à infra-estrutura crítica, eventos de espionagem comercial ou espionagem tradicional.

A França e a Alemanha impuseram restrição ao uso de BlackBerries pelas autoridades por preocupação que as agências de inteligência americanas pudessem interceptar e-mails confidenciais.

Expressando preocupações similares, a Casa Branca impôs uma proibição aos seus funcionários de usarem os aparelhos em alguns países, inclusive na China. Também está considerando a necessidade de restrição do uso nos EUA, uma medida que traria pânico às autoridades de Washington, viciadas em BlackBerry.

Sami Saydjari, diretor executivo da Agência de Ciberdefesa e ex-especialista do Pentágono, adverte sobre o potencial de grupos terroristas, como a Al Qaeda, atacarem setores financeiros, de telecomunicações e de energia. Para ressaltar a ameaça, ele diz que nenhuma equipe vermelha do ciberespaço - hackers contratados para atacar sistemas que ajudam a identificar debilidades - algum dia fracassou em seu objetivo.

Gregory Garcia, subsecretário de segurança no ciberespaço do Departamento de Segurança Interna, diz que o número de incidentes registrados neste ano no departamento até agora foi de 35.000, comparados com 4.100 em todo o ano de 2005. Deborah Weinberg

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