UOL Notícias Internacional
 

06/09/2007

Anatel autorizada a decidir sobre compra da Telecom Italia pela Telefonica

Financial Times
Jonathan Wheatley
Em São Paulo
A Anatel, órgão regulador do setor de telecomunicações no Brasil, recebeu ontem autorização para decidir sobre a proposta de compra de uma parte da Telecom Italia pela Telefonica da Espanha, o que torna mais próximo o fechamento de um negócio de US$ 3,14 bilhões. A decisão de um juiz de Brasília marca a última escaramuça em uma batalha pelo predomínio do mercado de telefonia celular do Brasil, em rápido crescimento.

Anteriormente, outro tribunal tinha suspendido as deliberações da Anatel a pedido da Claro, terceira maior operadora de celular do país, controlada pelo bilionário mexicano Carlos Slim.

A Claro exigiu acesso à documentação que estava sendo estudada pela Anatel, alegando que a aquisição da Telecom Italia pela Telefonica afetaria seus negócios devido à potencial concentração do mercado nas mãos da Telefonica. Um membro do tribunal disse que o juiz decidiu que a Claro deve esperar com as demais operadoras para ver os detalhes do negócio depois da decisão da Anatel. A decisão pode ser alvo de recurso.

A Telefonica fez um acordo em abril para participar de um consórcio que assume o controle da Telecom Italia. A Anatel deve decidir sobre o negócio porque ambas têm grandes interesses no Brasil. A Telefonica é dona de metade da Vivo, a maior operadora de celular, em uma joint venture com a Portugal Telecom. A unidade de celular da Telecom Italia, TIM, é a segunda maior operadora do Brasil.

Observadores disseram que a medida da Claro foi uma tática para atrapalhar o negócio. "É bom ver dois grandes atores realmente atacando", disse um analista que não quis se identificar.

Quando o acordo entre a Telefonica e a Telecom Italia foi anunciado, foi amplamente considerado uma tática da Telefonica para deter o avanço das empresas de Slim, a Telmex e a América Móvil, na região. Slim havia tentado comprar a Telecom Italia em uma joint venture com a AT&T que não deu em nada.

De fato, analistas dizem que uma potencial fusão entre as unidades de telefonia celular das companhias espanhola e italiana - que daria à Telefonica mais da metade do mercado brasileiro - nunca esteve em jogo. A Telefonica concordou desde o início em não participar das decisões que afetam as operações da TIM ao redor do mundo.

"O que a Telefonica pagou foi uma cláusula no contrato que impede que a Telecom Italia venda seus ativos para uma concorrente", disse Samuel Possebon, da "Teletime", uma revista e site do setor de telecomunicações no Brasil.

O Brasil e outros mercados latino-americanos são de crítica importância para a Telefonica e as empresas de Slim. A telefonia fixa na região está alcançando a maturidade, mas o mercado de celulares ainda oferece muito crescimento - mais que mercados maduros como a Europa. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h10

    0,68
    3,204
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h13

    0,35
    64.903,28
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host