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11/09/2007

Brasil deverá revelar melhores números de crescimento

Financial Times
Jonathan Wheatley

Em São Paulo
O Brasil poderá ter uma oportunidade esta semana de afastar sua imagem de vagão lento dos "Bric" - as quatro economias em rápido desenvolvimento. Os números do crescimento no segundo trimestre deverão chegar a 5,5%, mais que o dobro da média dos últimos 15 anos.

Enquanto os outros três - Rússia, Índia e China - há muito vêem suas economias crescerem mais depressa que as de seus pares no mundo desenvolvido, o Brasil tradicionalmente é mais lento, apesar da promessa de um "espetáculo de crescimento" feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de sua eleição em 2002.

Algumas estimativas feitas antes da divulgação dos números, amanhã, vêem o crescimento atingindo até 6,9%, comparado com 3,7% no ano passado.

Mas há uma crescente preocupação sobre um retorno das pressões inflacionárias, e muitos economistas dizem que o governo parece ter abandonado os planos de atacar um índice de gastos que atinge mais que um terço do PIB há vários anos, sugerindo que o ritmo do crescimento poderá desacelerar de novo em médio prazo.

"O crescimento está realmente acelerando", disse Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco, um grande banco do setor privado. "As coisas estão parecendo muito boas para os consumidores e em termos de investimento. Vai ser uma surpresa positiva".

A agricultura, os serviços e a indústria vêm crescendo rapidamente este ano. O investimento foi forte, especialmente entre empresas exportadoras que avançaram com investimentos iniciados no ano passado.

Mas há preocupações à frente. A inflação dos preços no atacado em agosto foi de quase 1%, muito maior que a esperada e uma advertência da crescente inflação dos preços ao consumidor nos próximos meses. Números do governo mostraram ontem a inflação no varejo em 3,99%.

Em conseqüência, muitos economistas esperam que o Banco Central interrompa dois anos de cortes nas taxas de juros. Na semana passada ele desacelerou o ritmo recente dos cortes, de 0,5 para 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 11,25% ao ano, em vez dos 19,75% de setembro de 2005.

O aumento continuado dos gastos do governo também causa preocupação entre economistas. No mês passado Brasília anunciou planos de criar 29 mil empregos no setor público no próximo ano e de contratar mais 27 mil pessoas para preencher cargos vagos.

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