Delphine Arnault Gancia: ela tem sexto sentido para luxo e varejo

De Vanessa Friedman e Edwina Ings-Chambers

Todo setor tem seus marionetistas, suas figuras ocultas e influenciadores. Eles apenas não costumam ter 32 anos, 1,77 metro de altura, serem loiros e soberbamente vestidos -e serem pouco conhecidos. Mas este foi o feito de Delphine Arnault Gancia, desde que se tornou, aos 28 anos, a mais jovem integrante do conselho diretor da Moët Hennessey Louis Vuitton (LVMH), o maior conglomerado de produtos de luxo do mundo, que é controlado pelo seu pai, Bernard Arnault.

Nesta semana, como sempre durante a Semana de Moda de Paris , ela estará ao lado dele em muitos dos desfiles da LVMH (entre suas grifes estão a Givenchy, Dior, Louis Vuitton, Galliano, Celine e Loewe). Em alguns ela até mesmo estará em seu lugar, como ocorreu na semana passada em Milão, nos desfiles da Pucci e Fendi. Sentada com seu marido há dois anos, Alessandro Gancia, o casal foi cercado por paparazzi como se fossem astros de cinema. Pois cada vez mais Delphine está se tornando o rosto público da empresa, representando o conselho diretor, por exemplo, na festa de gala do 60º aniversário da Pucci na Itália, em maio.

Greg Kessler/Style.com
Grifes pessoais: (da esquerda para a direita) Alessandro Vallarino Gancia, Laudomia Pucci -filha do criador e diretora de imagem da Pucci-e Delphine Arnault
Esta última talvez sem causar surpresa, dado que Delphine atualmente faz parte do conselho da Pucci assim como da Loewe, a grife espanhola comprada pela LVMH em 1996. Mas o que pode ser mais surpreendente é o verdadeiro poder que ela exerce nestes cargos. "Ela adora trabalhar", disse Laudomia Pucci, diretora de imagem da Pucci. De fato, Delphine recentemente tem ajudado a dar continuidade à revolução inglesa na LVMH, orquestrada por seu pai nos anos 90 enquanto estava construindo seu império.

Na época ele convenceu John Galliano a migrar para a Givenchy; depois a Dior, com Alexander McQueen (que não está mais na empresa) e, mais recentemente, Matthew Williamson, o diretor de criação da Pucci. Neste ano, Delphine ajudou a trazer Stuart Vevers (que era da Mulberry) para a Loewe. Quando o atual estilista da Loewe, Jose Enrique Ona Selfa, apresentar sua última coleção nesta edição da Fashion Week de Paris, analistas ficarão atentos às expressões dela em busca de pistas sobre o que mais sairá da passarela.

"Ela adora moda e se relaciona 100% com ela", disse Laudomia Pucci. "Quando ela chega ao showroom, ele se concentra nos detalhes do produto."

Outra pessoa disse: "Ela fica de fora das questões operacionais cotidianas destas empresas, mas está bastante envolvida nas áreas de produto e estilismo. Ela é uma estrategista e claramente está sendo criada para um alto posto na holding".

Apesar de tudo, Delphine Arnault Gancia tem se mantido fora do radar. Isto se deve em parte a uma certa proteção familiar -uma conhecida dos tempos de escola lembra de Delphine ser uma adolescente protegida- e em parte pelo fato das grifes nas quais está envolvida serem relativamente pequenas dentro da LVMH em comparação a Louis Vuitton. Tanto a Pucci quanto a Loewe fazem parte da divisão de moda da LVMH, que é dirigida por Pierre-Yves Roussel, que atua como outra camada administrativa entre as empresas e Bernard Arnault.

Mas a LVMH declarou sua ambição de dobrar o tamanho da Loewe nos próximos cinco anos, o que significa que Delphine poderá em breve estar mais próxima do centro do palco.

Às vezes chamada de "dama de ferro", "loba em casaco de cashmere" e uma das "herdeiras bilionárias mais belas", Delphine estudou na EDHEC em Paris e na Escola de Economia de Londres. Segundo todos os relatos ela é semelhante ao seu pai em sua energia, reticência pessoal e na abordagem para solução de problemas.

Ele é vista como séria candidata a herdeira legítima desde que deixou a consultoria administrativa internacional McKinsey depois de dois anos para ingressar na empresa da família, primeiro ajudando a desenvolver a grife de John Galliano e depois trabalhando em desenvolvimento de produto e marketing na Dior, apesar de companheiros de trabalho a descreverem como "humilde" e dizerem que ela é cuidadosa em minimizar seu parentesco.

Todavia, seu pai é famoso pela forma dinástica como trata sua empresa. Ele é, afinal, a terceira geração em sua família a dirigir a empresa criada por seu avô -apesar de naquela época ser uma construtora. O irmão mais novo de Delphine, Antoine, se tornou recentemente chefe de comunicações da Louis Vuitton e também ingressou na diretoria da LVMH. Os dois irmãos são próximos, apesar da reputação dela dentro da empresa ser de "a mais séria".

"Nós fomos criados conversando sobre negócios", disse Antoine Arnault. "Era freqüentemente assunto no jantar com meu pai. Eu acho que é igual a quando você começa a tocar piano quando criança: você toca 'naturalmente' melhor que os outros. Delphine tem este talento para luxo e varejo: ela tem um sexto sentido para isto". George El Khouri Andolfato

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