Brasil leiloa sete concessões de rodovias

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

O Brasil vai leiloar sete concessões de rodovias federais hoje, no que está sendo visto como aceitação por parte do governo da necessidade de investimento privado em serviços públicos.

As concessões cobrem sete trechos de rodovias, em um total de 2.600 km na região Sudeste, a mais desenvolvida do país, ligando centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.

Apesar de mudanças que tornaram as concessões menos atraentes do que planejado, o leilão deve atrair intenso interesse.

José Alexandre Nogueira Resende, diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), agência reguladora de transportes responsável pelo leilão, disse que esperava que "duas dúzias" de consórcios apresentariam propostas.

Entre os que devem tomar parte estão grupos de construção locais como OAS, Queiroz Galvão, Wtorre e CR Almeida. Grupos estrangeiros que devem participar incluem Acciona, da Espanha, e Iesca, da Argentina. O banco de investimentos americano Goldman Sachs deve entrar em parceria com clientes locais.

As concessões de 25 anos serão concedidas aos consórcios que propuserem os pedágios mais baratos e cumprirem outros critérios operacionais. Os operadores se comprometerão a desenvolver serviços de ampliação e manutenção de cerca de R$ 19 bilhões.

Muitos trechos estão em situação notoriamente precária, com altos índices de acidentes. A BR-116, entre São Paulo e Curitiba, é conhecida como "estrada da morte".

A identidade das empresas participantes devia ser revelada ontem. No entanto, uma ordem da justiça temporariamente suspendeu o processo na semana passada, e não ficou claro se os participantes seriam conhecidos antes do leilão de hoje na Bolsa de Valores de São Paulo.

A liminar foi concedida aos participantes que pediam mais tempo para estudar os documentos, publicados apenas 45 dias antes do leilão.

As primeiras concessões de rodovias federais foram vendidas em 1995.

O segundo lote deveria ser vendido no início deste ano, mas o leilão foi suspenso após o governo dizer que o índice de retorno permitido era alto demais. Desde então, o índice foi cortado de 12,9% para 9%.

Newton Cavalieri, consultor que trabalha com vários consórcios, disse que, apesar da baixa taxa de retorno, as concessões tinham sido bem formuladas e atrairiam forte interesse.

No entanto, ele disse que muitos participantes estavam descontentes com a pressa do leilão.

"Este governo precisou de mais de um mandato para ser persuadido que o investimento privado era necessário", disse ele. "Agora, eles entenderam que a única solução é chamar o setor privado."

UOL Cursos Online

Todos os cursos