Polícia brasileira prende funcionários da Cisco em investigação sobre impostos

Jonathan Wheatley, em São Paulo e
Kevin Allison, em San Francisco

A polícia brasileira prendeu 40 pessoas, incluindo três executivos seniores e um ex-presidente da subsidiária brasileira da Cisco Systems, a gigante de tecnologia americana, sob a acusação de fraude fiscal e outros crimes envolvendo o não-pagamento de até R$ 1,5 bilhão (US$ 830 milhões).

A operação se seguiu a uma investigação de dois anos e envolveu 650 oficiais da polícia, autoridades fiscais e da promotoria pública. A polícia disse que eles permanecerão detidos por cinco dias enquanto os agentes investigam documentos e outras evidências apreendidas com 93 mandados de busca em locais nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, incluindo os escritórios da subsidiária brasileira da Cisco e as residências dos altos executivos.

A Cisco, a maior fabricante do mundo de switches e roteadores, que conduzem o tráfego na Internet, confirmou que "um pequeno número" de funcionários foi detido. "Entendemos que não houve acusações formais", disse um porta-voz da matriz da Cisco em San Jose, Califórnia.

O Brasil, que é considerado um importante mercado emergente para a Cisco, juntamente com a Rússia, Índia e China, atualmente responde por cerca de 1% dos negócios totais da companhia, segundo a própria Cisco.

A polícia brasileira iniciou o processo de solicitar às autoridades americanas a detenção de cinco cidadãos brasileiros nos EUA. Um oficial de polícia disse que os cinco não trabalham para a Cisco.

As autoridades brasileiras disseram que a operação havia descoberto uma complexa rede de empresas no Brasil e no exterior que costumava importar hardware e software com valores fraudulentos.

Elas disseram que os principais beneficiários da suposta fraude eram a Cisco Systems; sua subsidiária Cisco do Brasil; Mude Comércio e Serviços, uma operadora de importações e exportações brasileira; e "outras companhias americanas e brasileiras, reais e fantasmas, que eram usadas como intermediárias". Elas disseram que a rede incluía empresas baseadas no Panamá, nas Bahamas e nas Ilhas Virgens britânicas.

As autoridades disseram que nos últimos cinco anos cerca de 50 toneladas de produtos foram importadas mensalmente sob esse esquema, por um valor total declarado de US$ 500 milhões. Elas disseram que as estimativas iniciais calculam o valor de impostos fraudados em cerca de R$ 1,5 bilhão.

Além de antigos e atuais funcionários da empresa, os detidos incluem quatro fiscais da Receita e três agentes alfandegários. Um mandado de prisão ainda não havia sido cumprido ontem. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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