Anatel deve aprovar negócio envolvendo Telecom Italia e Telefónica

Jonathan Wheatley, em São Paulo
Andrew Parker, em Londres e
Adrian Michaels, em Milão

Na terça-feira (23/10), esperava-se que a Anatel, a agência brasileira reguladora do setor de telecomunicações, autorizasse um acordo segundo o qual a Telefónica da Espanha pagará 2,3 bilhões de euros (cerca de R$ 5,9 bilhões) por uma parcela do controle majoritário da Telecom Italia.

Caso aprovado, o negócio significará não apenas um passo significativo para a consolidação da indústria global de telecomunicações, mas também uma vitória substancial na longa batalha pelo controle do setor na América Latina.

Também deverá se buscar a aprovação das agências reguladoras na Argentina, onde as duas companhias também competem, e da agência antitruste do Brasil. Mas a aprovação pela Anatel está sendo vista como a última grande barreira para a conclusão do negócio.

A Anatel precisa estabelecer as regras para a transação porque a Telefónica já detém metade do controle acionário da Vivo, a maior operadora de telefonia móvel brasileira, por meio de uma joint venture com a Portugal Telecom.

A Telecom Italia controla a TIM Brasil, a rival mais próxima da Vivo.

As leis brasileiras não permitem que ninguém detenha uma parte do controle majoritário de mais de uma operadora de telefonia móvel em qualquer região do país.

César Alierta, o presidente da Telefónica, disse no mês passado que o seu grupo garantiu à Anatel que não interferiria com a administração da TIM Brasil.

Alierta afirmou estar confiante na aprovação do negócio pela Anatel. Segundo as cláusulas desse acordo, um consórcio envolvendo a Telefónica e diversas das principais instituições financeiras italianas estão comprando uma parcela do controle majoritário da Telecom Italia.

Fernando Faria, da Pyramid Research, uma consultoria especializada no setor de telecomunicações, diz que a decisão da Anatel é aguardada com ansiedade pela indústria, até porque uma fusão dos dois grupos criaria uma entidade com um poder bem maior de barganha sobre os seus fornecedores, ainda que as questões estratégicas fossem mantidas em uma esfera separada.

Mas, segundo Faria, o significado real do negócio é que ele impedirá que companhias controladas por Carlos Slim, o empresário mexicano, ampliem o seu controle sobre o mercado brasileiro e outros mercados latino-americanos. UOL

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