Campo de Tupi no Brasil dá empurrão às companhias

Dino Mahtani

As ações da Petrobras, do BG Group e da Galp Energia, sócias no grande campo Tupi no Brasil, subiram acentuadamente pelo segundo dia, apesar da opinião de analistas de que o otimismo é exagerado. As três companhias tiveram grandes ganhos desde quinta-feira, quando a Petrobras, companhia de petróleo de capital aberto mas controlada pelo Estado brasileiro e operadora da Tupi, disse que testes haviam confirmado reservas recuperáveis entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás.

O campo, que seria quase igual à base de reserva de 8,5 bilhões da Noruega, poderia aumentar as reservas do Brasil em mais de 60% e levantou especulações de novas grandes descobertas nas bacias de gás e petróleo brasileiras em alto-mar, amplamente inexploradas.

Os analistas aplaudiram os resultados dos testes mas muitos disseram que os ganhos dos preços das ações refletiam suposições de que o campo produzirá seu máximo, embora ainda haja necessidade de mais perfurações para testar plenamente a qualidade da reserva.

"Até que o campo seja adequadamente avaliado, a estimativa dos recursos é incerta", disse David Thomas, analista de petróleo sênior do Citigroup.

As ações da Petrobras, que tem participação de 65% no campo de Tupi, aumentaram quase 30%, para mais de R$ 90, desde o fechamento do pregão na quarta-feira.

O grupo britânico BG de produção e exploração de energia teve alta do preço de suas ações no mês passado impelida por especulações de que seria alvo de uma proposta de aquisição da Royal Dutch Shell e da Petrobras.

O preço de sua ação disparou para picos de 10,30 libras ontem, contra 901 pence no fechamento na quarta-feira, aumentando seu valor de mercado para 33,5 bilhões de libras (US$ 70,1 bilhões) e assim estreitando o campo de possíveis ofertas.

A BG, que tem participação de 25% em Tupi, disse que por enquanto a companhia não comentaria os números da reserva. "Acreditamos que é preciso fazer mais avaliações."

As ações da Galp Energia, a principal companhia portuguesa de petróleo e gás, subiram para mais de 15 euros ontem, uma alta de quase 22% no dia e quase 40% desde o fechamento do pregão na quarta-feira.

Executivos da Petrobras disseram que a produção poderá ser esperada para daqui a cinco ou seis anos, mas muitos analistas da indústria dizem que o pico da produção do campo só ocorrerá a partir de 2020.

Matthew Shaw, da consultora de energia Wood Mackenzie, disse que poderá custar no mínimo US$ 50 bilhões para desenvolver Tupi, onde os poços têm de ser perfurados 2 km abaixo da água e mais 2 km através de rocha. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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