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21/11/2007

Produtores de sacolas plásticas lutam contra leis de supermercados

Financial Times
Jonathan Birchall
"Sacola de papel ou de plástico?" Esta pergunta era comum em todo supermercado americano, quando os caixas ofereciam aos clientes a escolha entre as sacolas de papel marrom, ao estilo antigo, ou as leves de plástico, hoje predominantes.

Neste ano, a questão tornou-se o foco de um debate muito mais pesado para os lojistas americanos, que até agora ficaram para trás em relação aos esforços europeus para reduzir o uso de sacolas descartáveis onipresentes.

Em abril, São Francisco se tornou a primeira cidade dos EUA a introduzir uma proibição do uso de sacolas plásticas comuns -usadas em nove em cada dez transações. Lei similar está sendo considerada na Filadélfia, Boston e Baltimore, assim como Portland e Seattle.

A indústria, porém, aumentou seus esforços para defender a sacola descartável, ganhando uma vitória nesta segunda-feira, quando o conselho de Annapolis vetou uma proposta de proibir sacolas plásticas na capital de Maryland.

Na frente da batalha está o Progressive Bag Alliance (PBA), grupo estabelecido em 2005 para representar os fabricantes de sacolas. O PBA vem trabalhando ao lado de um grupo de lobby da indústria química, American Chemistry Council, para flexibilizar ou revogar uma nova enxurrada de leis anti-sacolas.

O PBA contratou uma firma de relações públicas, Edelman, para lidar com o lobby junto à mídia e ao governo e concentrou sua atenção no debate do plástico contra o papel. Seu argumento é que as sacolas plásticas exigem menos energia para sua produção e reciclagem e que as sacolas de papel também custam mais para transportar.

O grupo ressalta também os esforços de reciclagem dos revendedores como a Giant, subsidiária da Royal Ahold, que usou o plástico de sacolas recicladas para criar bancos públicos. Alguns supermercados americanos agora dão pequenos créditos aos consumidores que reutilizarem suas sacolas plásticas, apesar da reciclagem continuar sendo apenas 5% das 100 bilhões de sacolas usadas a cada ano nos EUA.

"Não há base científica para a proibição", diz David Vermillion, porta-voz da PBA. Ele também argumenta que as sacolas plásticas não são as que mais contribuem para o lixo urbano em termos de volume.

Na cidade de Nova York, o PBA defendeu uma recente lei que exige dos lojistas que ofereçam reciclar as sacolas que os clientes trazem de volta. No Estado de Nova York, a aliança venceu apoio político para lei similar contra duas propostas rivais, uma pedindo uma proibição ao estilo de São Francisco e outra, um imposto de US$ 0,15 (em torno de R$ 0,25) sobre cada sacola usada.

"Apoiamos a lei de reciclagem", diz Laura Haight, especialista em lixo do Grupo de Pesquisa de Interesse Público de Nova York. "Mas o imposto de US$ 0,15 era melhor."

Ativistas ambientais dizem que São Francisco ilustra o impacto limitado dos esforços de estimular a reciclagem voluntária, como defende o PBA. A proibição foi introduzida apenas depois que os supermercados não conseguiram cumprir um alvo acordado de reduzir o uso de sacolas plásticas.

Nenhuma cidade ainda adotou o imposto sobre sacolas, que os defensores dizem que seria a forma mais eficaz de mudar o comportamento do consumidor. Em 2002, o imposto de US$ 0,15 por sacola na Irlanda levou a uma queda dramática de 90% no uso de sacolas plásticas.

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