Banco holandês vai lançar créditos de carbono para a Amazônia

Jonathan Wheatley*
Em São Paulo

O Rabobank, banco holandês que é o maior fornecedor mundial de financiamentos para a agricultura, está se preparando para lançar um esquema de créditos de carbono para incentivar o reflorestamento de áreas desmatadas ilegalmente na região do Xingu, na Amazônia brasileira. Seus organizadores esperam que o esquema se torne um exemplo para a preservação do resto da floresta amazônica.

Em um programa piloto que começará no próximo mês, o Rabobank vai fornecer R$ 150 mil para oito fazendas de soja e de gado na região do Xingu, no Estado de Mato Grosso. O piloto se baseia em um novo registro de terra voluntário baseado na conservação e faz parte de esforços mais amplos na região para colocar agricultores e pecuaristas em linha com as exigências legais para conservar as florestas em suas terras.

O Xingu fica no coração da chamada "zona de destruição" na borda sul da Amazônia, onde vastas áreas de floresta foram derrubadas nas últimas duas décadas.

O esquema vai se concentrar na floresta que foi derrubada junto a cursos de água, o que infringe a lei e causa erosão e outros danos ambientais. Cerca de 300 mil hectares dessa floresta foram derrubados no Xingu, segundo os organizadores do programa.

Conceder créditos de carbono a projetos que preservam a floresta ou a replantam tornou-se uma prática comum de conservação, dando incentivos financeiros para manter as florestas intactas. As florestas agem como reservas de carbono, e o desmatamento é responsável por cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa.

Os créditos, cada um dos quais representa uma tonelada de dióxido de carbono, podem ser vendidos para empresas ou indivíduos que desejem neutralizar suas emissões de gases do efeito estufa e podem alcançar US$ 2 a US$ 15 cada, dependendo do projeto.

Esses créditos alcançam menos que os créditos emitidos pela ONU sobre o Protocolo de Kioto. Mas está crescendo a pressão para que projetos de reflorestamento se tornem qualificados para receber créditos de carbono em um possível sucessor daquele tratado, e este será um ponto chave de debate nas negociações da ONU sobre mudança climática que começarão na semana que vem em Bali, Indonésia.

Os proprietários de terra costumam se queixar de que não recebem indenização por manter florestas em sua propriedade, e muitas vezes limpam ilegalmente áreas protegidas. Mas os organizadores do programa dizem que muitos estão começando a ver os benefícios da preservação para garantir o acesso a mercados cada vez mais exigentes, especialmente na Europa.

Para os objetivos do programa piloto, o Rabobank está doando efetivamente R$ 150 mil às propriedades participantes. Se o replantio nas propriedades piloto produzir créditos de carbono -o replantio já foi usado para gerar créditos no Brasil e em outros países-, o Rabobank os usará para neutralizar suas próprias emissões.

Se o piloto tiver sucesso, o volume de dinheiro oferecido deverá alcançar vários milhões de dólares por ano nos próximos anos, e os créditos gerados serão vendidos no mercado de créditos de carbono voluntários.

"A idéia é ver o impacto que o financiamento terá sobre diferentes tamanhos de fazendas e onde é mais eficaz", disse Daniela Mariuzzo, do escritório do Rabobank em São Paulo.

*Colaborou Fiona Harvey Luiz Roberto Mendes Gonçalves

UOL Cursos Online

Todos os cursos