Importante projeto ferroviário europeu é "complexo demais"

Robert Wright
Em Londres

Um importante projeto de vários bilhões de euros visando fazer com que os trens da Europa circulem de forma uniforme de um país a outro é desnecessariamente complexo e foi mal administrado, provocando uma série de atrasos.

O European Rail Traffic Management System (Ertms, Sistema de Gestão do Tráfego Ferroviário Europeu) foi atrapalhado pela necessidade de acomodar em um único sistema práticas operacionais muito diferentes por todo o continente, segundo dados do setor, que agora colocam em dúvida se Bruxelas foi prudente em dar prosseguimento a um empreendimento sem primeiro integrar as regras.

O projeto é o mais recente de uma longa fila de ambiciosos projetos industriais pan-europeus -incluindo o caça Typhoon, o satélite Galileo e o superjumbo A380- a encontrar problemas de coordenação internacional.

A Comissão Européia primeiro pediu ao setor ferroviário que elaborasse regras para o projeto do Ertms em 1993. Apesar da primeira especificação ter sido publicada em 2000, a Agência Européia de Ferrovias, a divisão da comissão responsável, ainda está publicando novas versões para resolver os problemas.

Não se sabe quanto desembolsaram as muitas partes industriais e governamentais envolvidas, mas a SNCF, a operadora ferroviária nacional francesa, estima que custaria 2 bilhões de euros apenas para adaptar seus trens com equipamento para entender os sinais do Ertms.

Jan-Willems Siebers, o diretor comercial da NS Hispeed, a operadora da nova linha de alta velocidade dos Países Baixos cuja inauguração foi adiada por problemas ligados ao Ertms, disse que o projeto foi vítima da dificuldade de coordenar as muitas organizações por toda a Europa.

"'Sistema' é sempre difícil e 'Europeu' é sempre difícil, porque cada país conta com suas próprias especificações", disse Siebers. "A combinação de 'Europa' com 'sistema' sempre eleva o desafio ao quadrado."

A NS Hispeed abandonou seus planos de uma inauguração parcial, em baixa velocidade, de parte da linha Antuérpia-Amsterdã-Zuid em dezembro, após fracassar em solucionar os problemas com a sinalização Ertms.

Josef Doppelbauer da Bombardier do Canadá, a maior fabricante mundial de equipamento ferroviário, disse que a situação é profundamente frustrante. Para acomodar os sistemas operacionais altamente divergentes, seria necessária uma flexibilidade significativa no projeto para adaptação.

Mas Richard Lockett, chefe de estratégia da Agência Européia de Ferrovias, insistiu que a agência passou a controlar a situação desde que se tornou encarregada da especificação. Ela agora tem conhecimento de onde se encontram as ambigüidades na especificação e está trabalhando para resolvê-las. George El Khouri Andolfato

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