Oi está perto de adquirir a Brasil Telecom

John Rumsey
Em São Paulo

A empresa de telecomunicações brasileira Oi, antes conhecida como Telemar, está em avançado estágio de negociações para adquirir a Brasil Telecom (BrT), uma medida que criaria um campeão nacional em um setor já relativamente concentrado.

O negócio, avaliado em R$ 4,8 bilhões, também reduziria a possibilidade de o setor de telecomunicações do Brasil ser dominado por um duopólio de propriedade estrangeira.

A Telefónica da Espanha e as maiores operadoras de linhas fixas e móveis do México, Telmex e América Móvil, são os principais atores. Os dois grupos mexicanos, que operam no Brasil como Embratel e Claro, são propriedade de Carlos Slim, o homem mais rico do mundo.

O governo brasileiro há muito temia que as duas empresas nacionais não fossem páreo para a dupla hispano-mexicana, financeiramente superior e mais agressiva. O ministro das Telecomunicações do Brasil, Hélio Costa, foi um dos principais defensores de um acordo entre as duas empresas brasileiras. Dilma Rousseff, a poderosa ministra-chefe de Gabinete, também prefere a criação de um forte ator doméstico.

A Telefónica já é predominante no Estado de São Paulo, que representa 40% do tráfego nacional, e a dupla hispano-mexicana tem participações maiores no mercado celular do que qualquer de suas rivais brasileiras.

"A fusão Oi-BrT criaria um campo de jogo mais nivelado, onde nenhuma das três companhias dominaria", disse Ricardo Araújo Silva, um analista de telecoms do Banco Itaú em São Paulo.

Analistas disseram que os reguladores ainda poderão bloquear o negócio. Um plano nacional limita a concentração no setor, o que significa que as negociações poderão terminar em um acordo de direito de preferência na compra entre as duas empresas brasileiras, permitindo que a aquisição ocorra rapidamente quando a lei mudar.

No entanto, o governo poderá promover as mudanças relativamente rápido. "Existe amplo apoio em todo o espectro político para um campeão nacional, [o presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] provavelmente mudará as regras por decreto e poderá agir logo", disse Alex Pardellas, analista do Banif Investment Banking em São Paulo.

Em todo caso, o negócio também depende de se alcançar um acordo em estruturas de acionistas complexas. A Oi é propriedade de fundos de pensão, assim como o Citigroup dos EUA e Opportunity Asset Management.

Analistas disseram que é razoável esperar que o Citi queira vender sua participação diante dos recentes problemas da companhia no mercado hipotecário dos EUA. Um negócio poderia dar ao banco americano R$ 2,3 bilhões. Alguns acionistas têm participação nas duas entidades e poderiam reinvestir os lucros na nova entidade fundida. O BNDES, o banco de desenvolvimento estatal do Brasil, poderá ajudar a financiar a aquisição. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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