Pré-candidatos disputam dividendo da guerra do Iraque

Edward Luce

Após meses virtualmente ignorada, a guerra no Iraque repentinamente entrou novamente no debate presidencial americano -mas concentrada apenas no que os dois principais pré-candidatos democratas estavam dizendo a respeito dela antes de ter começado.

Nos últimos dias, Hillary Clinton e Barack Obama têm brigado a respeito de seus retrospectos em relação ao Iraque, com a primeira alegando que o segundo exagerou sua oposição imaculada à guerra desde 2002 e o segundo acusando a primeira de "reescrever a história".

O bate-boca cada vez mais furioso entreteve a mídia, mas contribuiu pouco para educar os eleitores. Quase totalmente ausente tanto dos debates democratas quanto republicanos está o que fazer no futuro a respeito do Iraque.

"Com a exceção de John McCain, ninguém quer falar sobre o futuro do Iraque", disse Tom Schaller, um cientista político da Universidade de Maryland. "Como a situação no Iraque não é mais tão clara, o que uma pessoa tem a dizer não mais se encaixa em um adesivo de carro."

No início da campanha há um ano, pouco depois do presidente George W. Bush ter anunciado o envio de 30 mil soldados adicionais, ambos os lados dedicaram uma boa parte de seus debates televisionados e mensagens de campanha ao tema do que fazer a respeito do Iraque.

Os democratas em grande parte competiram para ver qual candidato prometeria retirar as tropas americanas mais rapidamente; os republicanos tentaram superar um ao outro em quem seria o mais durão contra a ameaça terrorista (da qual o Iraque foi apresentado como estando subordinado).

Mas desde agosto, quando o número de baixas americanas e assassinatos sectários começou a cair acentuadamente -em cerca de dois terços em comparação aos 18 meses anteriores- a pressão popular sobre os candidatos democratas para falarem sobre retirada diminuiu.

Entre os republicanos apenas McCain, cujo antes controverso apoio ao aumento do número de soldados agora está rendendo belos dividendos, tenta manter o assunto vivo. Com os olhos voltados para a eleição geral, a maioria dos pré-candidatos prefere oferecer uma discreta defesa de Bush em relação ao Iraque.

Até o final do ano passado, parecia que as preocupações com o programa nuclear do Irã sobrepujariam a guerra no Iraque em 2008 como o tema de segurança nacional preferido entre os republicanos. Mas as agências de espionagem americanas mataram o assunto com a publicação da Avaliação Nacional de Inteligência, que disse que Teerã suspendeu seu programa nuclear para fins militares em 2003.

O abandono do Iraque e da segurança nacional nos debates de campanha foi reforçado pela quase ausência de Rudy Giuliani -o mais entusiasmado entre os republicanos- nas primeiras eleições primárias em Iowa, New Hampshire, Michigan e Carolina do Sul.

Mas tanto o Iraque quanto o terrorismo permanecem no topo da lista de preocupações das pessoas, atrás da economia e do medo de recessão. "A recente ausência de Giuliani contribuiu para a mudança de foco de temas internacionais para domésticos", disse Andrew Kohut, chefe do grupo de pesquisa Pew Global Research. "Isso mudará assim que a eleição geral começar."

Sejam quais forem os dois candidatos que despontarem, haverá grandes diferenças entre eles. O candidato democrata provavelmente se concentrará na retirada de grande parte das tropas de combate americanas do Iraque em um prazo de cerca de 18 meses, sem causar perturbação demais. Provavelmente será uma variação da repetida promessa de campanha de Obama: "Eu serei tão cuidadoso na retirada do Iraque quanto fomos descuidados na entrada".

O candidato republicano provavelmente prometerá manter o curso até que algo que lembre uma vitória seja conseguido. McCain brincou que estaria preparado para manter as tropas americanas lá por 100 anos "se necessário". Ele promete caçar Osama Bin Laden "até os portões do inferno". Giuliani fala de forma semelhante. O terrorismo quase certamente voltará ao centro das atenções.

"Algo, seja no Iraque ou em outro lugar no Oriente Médio, ocorrerá entre agora e a eleição geral para devolver a segurança nacional ao primeiro plano", disse David Rothkopf, um ex-funcionário de segurança nacional do governo Clinton.

"Seja lá o que possa ser, o candidato com mais experiência em política externa estará em melhor posição para se beneficiar." O inesperado no Iraque desequilibrou candidatos americanos -exceto McCain George El Khouri Andolfato

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