O Japão deveria adotar o modelo trabalhista europeu

David Piling
De Tóquio

O Japão deveria adotar uma legislação que crie um melhor equilíbrio entre a flexibilidade e a segurança no trabalho, segundo o comissário da União Européia para o emprego.

Vladimir Spidla disse que o Japão poderia aprender com a experiência européia, o que ele denomina de "flexirança" (em inglês, "flexicurity"), uma combinação de flexibilidade e segurança.

O modelo japonês de estabilidade no emprego, erigido sobre o elevado crescimento depois da guerra, está sob extrema tensão, desde que a bolha econômica se rompeu na década de 1990, com o número de trabalhadores em meio período se elevando de cerca de um quinto do total para quase um terço.

Embora o desemprego tenha caído para menos de 4%, com a economia em recuperação desde 2002, mudanças estruturais no mercado de trabalho disseminaram uma impressão de crise. A maior parte dos analistas considera os trabalhadores de tempo parcial como uma subcategoria mal paga e mal treinada. "Estou convencido de que esse modelo de "flexirança" que desenvolvemos na Europa poderia ser o modelo para o Japão," disse Spidla ao Financial Times.

Durante a retração econômica do Japão da década de 1990, as empresas mantiveram os funcionários existentes, mas pararam de contratar novos, criando uma inteira geração com pouca oportunidade de ter um emprego de período integral.

O problema é exacerbado pelas práticas inflexíveis de contratação do Japão, segundo as quais as empresas geralmente contratam pessoas formadas nas faculdades e esperam que elas trabalhem para a empresa durante anos, ou mesmo durante todas suas carreiras. No entanto, esse sistema está se deteriorando e se aplica cada vez mais às grandes empresas do que às pequenas.

Spidla disse que os responsáveis pelas instâncias decisórias não deveriam subestimar a capacidade da legislação de superar tais "obstáculos culturais." Ele mencionou o Leste da Europa, que em 15 anos passou de um sistema comunista para um compatível com a lei da União Européia.

O comissário disse que empresas individuais poderiam também se manifestar. Ele ressaltou os esforços da Toshiba, uma empresa do setor eletrônico e de energia nuclear, de reduzir a jornada de trabalho e promover um melhor equilíbrio entre vida e trabalho.

"No Japão, a longa jornada de trabalho é uma tradição. Mas a Toshiba decidiu sistematicamente abandonar isso."
Claudia Dall' Antonia

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