Investidores se sentem incomodados com estratégia da Vale

Jonathan Wheatley

Quando a Vale, o grupo de mineração brasileiro na época conhecido como Companhia Vale do Rio Doce, foi privatizada em 1997, sua capitalização de mercado era de cerca de US$ 8 bilhões.

Quando seus atuais controladores assumiram em 2001, eles transformaram em sua meta aumentar tal número para US$ 25 bilhões até 2010. A escala da ambição deles foi questionada por muitos.

Mas antes das ações da maior produtora de minério de ferro do mundo começarem a cair na segunda-feira, com os investidores questionando a sabedoria de uma possível aquisição da Xstrata, a diversificada mineradora anglo-suíça, a capitalização de mercado da Vale tinha subido para cerca de US$ 130 bilhões.

VALE VAI ÀS COMPRAS
Fabrice Coffrini/AFP
Sede da Xstrata em Zug, na Suíça
REVELAR AS NEGOCIAÇÕES
Tal crescimento diz muito sobre as mudanças na gestão introduzidas pelos seus controladores.

A privatização da Vale foi cercada por muita controvérsia, em grande parte pelo preço de US$ 3,3 bilhões ter sido considerado uma pechincha, com sua valorização subseqüente provocando uma série de contestações à venda, inclusive legais.

Mas foi apenas em 2001, quando acionistas incluindo o Bradesco, o maior banco privado do Brasil, assumiram o controle de rivais no grupo siderúrgico CSN, é que a Vale começou a concretizar seu potencial.

Sob Roger Agnelli, a empresa se reorganizou e vendeu seus negócios em papel, celulose e fertilizantes. Ela buscou se tornar uma parada única para o setor siderúrgico mundial, se concentrando em minério de ferro e outros ativos centrais.

Mais recentemente, ela buscou uma maior diversificação na área de mineração. Sua aquisição em 2006 da Inco, um mineradora de níquel canadense, por US$ 18 bilhões, foi vista como enormemente ambiciosa. O negócio fez com que agências de rating reavaliassem a muito valorizada classificação de grau de investimento da Vale, apesar da empresa ter rapidamente restaurado sua relação dívida/lucro.

Mas agora a diversificação parece menos certa de funcionar a favor da Vale. Apesar da redução da dependência em apenas um setor de negócios normalmente ser vista como positiva, os analistas alertam que as condições mudaram desde o negócio com a Inco.

Os analistas esperam que a Vale consiga uma elevação de preço de 40% a 50% para o minério de ferro neste ano.

A redução em sua renda do percentual de um commodity cujo preço está subindo e sua substituição por um cujo preço está caindo pode não parecer sábio.

"Na época do negócio com a Inco, era fácil argumentar que a demanda dos mercados emergentes aumentaria na década seguinte e que, enquanto isso, o crescimento viria dos países desenvolvidos", disse um analista na segunda-feira.

"Agora que o crescimento global está desacelerando, tal lógica não mais se aplica." Há dúvidas em relação ao conhecimento de uma possível aquisição da Xstrata George El Khouri Andolfato

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