Vale é forçada a revelar negociações para compra da rival Xstrata

Jonathan Wheatley, em São Paulo
e Lina Saigol, em Londres

A Vale, o maior grupo de mineração do Brasil, foi forçada a reconhecer na segunda-feira que está negociando a compra de sua rival anglo-suíça, a Xstrata.

Antes conhecida como Companhia Vale do Rio Doce ou CVRD, a Vale disse que está conversando com bancos sobre o financiamento de tal negócio e outras "opções de crescimento".

VALE VAI ÀS COMPRAS
Fabrice Coffrini/AFP
Sede da Xstrata em Zug, na Suíça
INVESTIDORES INCOMODADOS
Mas a principal produtora de minério de ferro do mundo disse que as negociações com a Xstrata foram inconclusivas até o momento e alertou que "as atuais condições dos mercados financeiros globais podem impedir a concretização de um grande passo estratégico".

As conversas permaneciam em estágio informal e nenhum preço foi discutido, acrescentou uma pessoa próxima das negociações em Londres. Todavia, a pessoa disse que o negócio não deve ser descartado.

Relatos na imprensa no Brasil sugerem que a Vale pagaria entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões pela Xstrata, o que tornaria o acordo a maior aquisição no exterior até o momento por uma empresa brasileira. A capitalização de mercado da Xstrata é atualmente de US$ 60 bilhões.

Espera-se que a Vale ofereça cerca de US$ 35 bilhões em dinheiro para a Xstrata, com o restante vindo na forma das chamadas ações "preferenciais" da Vale, que possuem menos direitos do que as ações ordinárias votantes, segundo a pessoa em Londres próxima das negociações.

As ações da Vale, que assim como as da Xstrata apresentaram alta na sexta-feira devido aos rumores de um acordo iminente, caíram acentuadamente com a queda dos mercados na segunda-feira. Durante os negócios do início da tarde elas perderam 8%, em comparação à queda de cerca de 5,5% no principal índice do mercado.

"Está se tornando muito mais difícil justificar a aquisição para os investidores", disse um analista de São Paulo. "O risco de uma recessão nos Estados Unidos e de uma desaceleração do crescimento global deposita muita incerteza sobre os mercados combinados da empresa."

As ações da Xstrata apresentaram um desempenho volátil, caindo 5,5%, para 31,79 libras, perdendo os ganhos anteriores à medida que o pessimismo se espalhava pelos mercados.

Analistas disseram que a Vale justificaria o negócio com base na diversificação: a empresa obtém cerca de 60% de sua receita do minério de ferro, enquanto a Xstrata obtém quase metade de sua receita do cobre.

A Glencore, a trading que é dona de 35% da Xstrata e que primeiro propôs a venda, indicou apoio ao negócio, segundo relatos brasileiros. George El Khouri Andolfato

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