Brasil vê redução das remessas dos imigrantes nos EUA

Richard Lapper
Editor de América Latina

As remessas de trabalhadores latino-americanos imigrantes nos EUA cresceram no ano passado no ritmo mais lento em uma década, o resultado da desaceleração econômica nos EUA e da repressão à imigração ilegal, combinadas com a força da economia brasileira.

Um relatório que será publicado hoje pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que os trabalhadores migrantes da América Latina em todo o mundo enviaram para seus países US$ 66,5 bilhões em 2007, 7% a mais que em 2006 e mais do que a América Latina recebeu em investimento direto estrangeiro e ajuda oficial ao desenvolvimento.

Mas no Brasil a receita das remessas caiu 4%, para US$ 7,08 bilhões, no México cresceu só 1% e hoje parece destinada a cair nas duas maiores economias da região.

As remessas para a América Latina cresceram constantemente cerca de 15% ao ano desde o final da década de 1990, provocando um crescente interesse por seu potencial como fonte de finanças para alívio à pobreza e capital de investimento em pequena escala.

"Não temos muita certeza se isto é simplesmente uma curva na estrada ou uma direção totalmente nova", disse Don Terry, diretor do fundo de investimento multilateral, a unidade do banco que conduz o trabalho sobre fluxos de remessas.

O declínio no Brasil refletiu a força do real contra o dólar, o que tornou menos interessante para os cerca de 350 mil brasileiros que vivem nos EUA mandar dinheiro para casa.

As atrações da florescente economia brasileira também estão levando muitos migrantes a voltar dos EUA para seu país. Evidências isoladas mostram que muitos brasileiros na área ao redor de Boston -um centro tradicional de emigração brasileira- estão fazendo exatamente isso.

"Não há mais tanta pressão para sair do país", disse Terry. "E sabemos que milhares de passagens só de ida foram compradas por brasileiros estabelecidos em Massachusetts. A queda do dólar, a valorização do real [e o crescimento da força da economia brasileira] significam que há oportunidades no país".

No entanto, Terry disse que o achatamento dos fluxos para o México, que representa mais de um terço dos influxos latinos, é "perturbador". Os fluxos atingiram US$ 23,9 bilhões em 2007, 1% a mais que em 2006, mas os números mensais mostraram um achatamento ano a ano perto do fim do ano passado e um declínio de 6% em janeiro de 2008. "Se isso se tornar uma tendência, milhões serão empurrados para baixo da linha de pobreza".

A crise habitacional nos EUA e o declínio no setor da construção, onde muitos imigrantes latino-americanos trabalham, tiveram parte da culpa.

No entanto, o declínio não foi tão pronunciado nas somas enviadas pelos imigrantes da América Central, cujas remessas cresceram cerca de 11% em comparação com 2006.

Tudo isso sugere que a repressão mais dura aos imigrantes ilegais, especialmente em nível estadual e municipal nas áreas onde os mexicanos tendem a ser o grupo imigrante dominante, está funcionando. "A desaceleração claramente tem algo a ver com isso, mas o clima geral é mais importante", disse Terry.

Os imigrantes dos países andinos, que tendem a ir para a Espanha mais que para os EUA, também continuam a mandar grande volume de dinheiro para seus países. A força do euro "fez da Europa um destino cada vez mais atraente para os trabalhadores latino-americanos e caribenhos", disse o relatório. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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