Conselhos aprovam fusão da Bovespa com BM&F

John Rumsey
Em São Paulo

A Bovespa Holding, que controla a Bolsa de Valores de São Paulo, e a BM&F, a principal Bolsa de futuros do Brasil, obtiveram ontem a aprovação de seus conselhos administrativos para uma fusão que criará a segunda maior Bolsa das Américas.

As duas bolsas haviam anunciado no mês passado que estavam em negociações, marcando um novo passo na consolidação das bolsas mundiais de ações e de futuros, depois de um recente surto de atividade.

No ano passado, a Chicago Mercantile Exchange comprou a Chicago Board of Trade por US$ 11 bilhões e o grupo CME ampliado finalizou este mês um acordo para comprar a Nymex, a Bolsa de energia de Nova York, por US$ 9,4 bilhões.

No entanto, resta ver se as duas bolsas brasileiras vão recuperar a confiança dos investidores em fundos depois de um percurso acidentado das ações dos grupos.

As duas bolsas se desmutualizaram através de ofertas públicas iniciais (IPO na sigla em inglês) nos últimos seis meses. As ações imediatamente saltaram, coincidindo com o pico do mercado brasileiro, mas desde então caíram.

Os baixos volumes de negócios, uma acentuada inversão no número de IPOs e as condições do mercado internacional pesaram muito. A Bovespa é altamente dependente de investidores estrangeiros, que foram responsáveis por cerca de 70% das compras de IPOs no ano passado.

Na IPO da Bovespa Holding em novembro as ações estrearam a R$ 23,00 e saltaram mais de 50% no primeiro dia. Desde então elas caíram e foram negociadas a R$ 26,60 ontem. As ações da BM&F foram lançadas a R$ 20,00 e tiveram uma trajetória semelhante, sendo negociadas ontem a R$ 17,60.

"Para melhorar o desempenho as bolsas precisarão aumentar os negócios e as receitas. Para tanto, vão precisar oferecer um leque maior de produtos em áreas como derivativos e opções de ações e estimular a liquidez em ações mid e small cap negociadas a dinheiro", disse Ricardo Kobayashi, co-diretor de administração de ativos no UBS Pactual no Rio de Janeiro.

As bolsas disseram que a fusão reduziria as despesas em 25% até 2010. "Isso parece alcançável, embora agressivo", disse Kobayashi.

Os acionistas da BM&F e da Bovespa terão cada um 50% da nova companhia e os acionistas da Bovespa vão receber um pagamento de R$ 1,24 bilhão para compensar por seu maior valor de mercado.

O acordo ainda precisa da aprovação dos acionistas, que provavelmente será decidido no final de abril, e da aprovação dos reguladores antitruste e de mercado. Se tudo der certo, a nova companhia deverá entrar em operação no final de maio e será negociada com o nome de Nova Bolsa. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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