Vale e Xstrata: dissecando um negócio abortado

Rebecca Bream
Em Londres

Depois do fracasso de suas negociações para criar a maior companhia mineradora do mundo, a Vale e a Xstrata tentavam ontem enfrentar uma situação delicada. Enquanto os dois lados disseram que não queriam atribuir a culpa pelo fracasso das negociações, as duas companhias ao mesmo tempo deram razões diferentes para o fim do negócio.

Pessoas próximas da Vale disseram que o acordo não deu certo por causa de exigências feitas pela Glencore, a corretora de commodities suíça que possui 35% da Xstrata, sobre direitos de comercialização da produção da companhia combinada.

A Glencore já comercializa grande parte da produção da Xstrata e esperava estender essa função para cobrir alguns negócios da Vale, como suas minas de níquel, e estaria pedindo contratos de comercialização de dez anos.

A Vale não estava preparada para assinar contratos de tão longo prazo sem ter um mecanismo para revisar se a Glencore estava valorizando seu dinheiro, e o grupo também ficou preocupado em prejudicar suas relações com atuais clientes.

No entanto, pessoas próximas da Xstrata e da Glencore disseram que a questão da comercialização não foi o motivo do fracasso das negociações.

EMPRESAS MINERADORAS
Michael Buholzer/Reuters
 
FRUSTRAÇÃO DOS DOIS LADOS
Elas disseram que a Vale e a Glencore tinham feito progressos sobre a questão quando o executivo-chefe da Glencore, Ivan Glasenberg, visitou Roger Agnelli, o executivo-chefe da Vale, no Rio este mês.

O lado Xstrata-Glencore culpava ontem as condições do mercado pelo fracasso do negócio e o fato de que uma queda no preço das ações da Vale havia esvaziado o valor da oferta informal em dinheiro e ações do grupo brasileiro. "Havia restrições sobre a Vale fazer uma oferta maior", disse uma pessoa próxima à Xstrata, sugerindo que a capacidade da Vale de levantar financiamento extra para sua proposta havia sido prejudicada pelo arrocho de crédito.

Fontes da Vale negaram veementemente que o financiamento fosse um problema e disseram que os bancos haviam se oferecido para emprestar mais dinheiro do que o grupo precisava.

No que os dois lados concordaram foi que as demoradas negociações e a crescente especulação no mercado haviam-se estendido o suficiente. Embora a Vale tenha se reservado o direito de fazer uma nova oferta pela Xstrata nos próximos seis meses, se surgir outra proposta ou se houver possibilidade de um acordo amigável, ontem isso parecia altamente improvável. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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