Destruição das plantações de papoula abala economia da familía afegã

Jon Boone
Em Badakhshan, Afeganistão

Para uma pessoa que acabava de ter sua forma de vida arrasada, Ziad Abdullah foi notavelmente educado com os visitantes de Cabul que tinham vindo ver sua plantação de papoula ser destruída, na província mais ao norte do Afeganistão.

A polícia afegã, armada de um arado de madeira puxado por bois, revirou o solo deste pequeno campo em Badakhshan. Não houve necessidade de uma "força de proteção", como a liderada pela Otan no Sul, mais volátil.

Autoridades locais de combate aos narcóticos disseram que aquele era o último campo de papoula no distrito de Argo, provavelmente um dos últimos em toda a província.

O status iminente de Badakhshan como "livre de papoula" é uma conquista para uma província famosa por sua produção de ópio. Em 2006 Helmand foi a única província que produziu mais que Badakhshan, que então tinha 13.056 hectares plantados.

Para Abdullah, porém, cuja família planta papoula há três gerações, é um desastre para ele e seus onze parentes. "Não sei como vou alimentar a todos. Se o governo não me der um emprego, teremos que emigrar para algum lugar onde possamos ganhar dinheiro."

Nos últimos anos, o cultivo da papoula no país foi se fortalecendo. O Escritório de Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas informou no ano passado que a produção aumentou 17% entre 2006 e 2007.

Estima-se que haja cerca de 500.000 famílias afegãs que dependem da produção de papoula para se sustentar, que recebem cerca de US$1 bilhão (em torno de R$ 2 bilhões).

A campanha de erradicação em Badakhshan pode ter sido um sucesso, mas ainda não se sabe como serão os serviços posteriores, se ajudarão as pessoas a encontrar outros meios de sustento.

De acordo com Abdul Jabar Musaddiq, governador do distrito de Argo, a falta de alternativas levou mais de 1.000 famílias a deixarem Badakhshan para províncias vizinhas, ou para o Irã ou o Paquistão.

Ele reclama que os esforços das três agências internacionais de desenvolvimento trabalhando na província para apoiar a agricultura são insuficientes.

Abdullah precisa encontrar uma forma de substituir os US$ 2.000 (em torno de R$ 4.000) que seu lote de 2.000 metros quadrados produzia.

A erradicação da plantação foi deliberadamente conduzida no início da temporada, para que os agricultores tivessem uma chance de plantar outra coisa.

Uma pesquisa de David Mansfield, acadêmico britânico, mostrou que, nas circunstâncias corretas, cultivos legais podem pagar tão bem quanto o ópio.

Este não é o caso para o pequeno campo de Abdullah que, apesar de abençoado com vistas maravilhosas de uma das províncias mais belas do Afeganistão, não conta com um sistema de irrigação.

Nas atuais condições de seca, tal terra é mais adequada à papoula -uma planta que pode produzir uma colheita decente sem água regular.

"Na Inglaterra, o agricultor usaria terra para outra coisa. Mas não acho que Badakhshan esteja pronto para chalés de férias ainda", observou um diplomata britânico.

Um benefício que Badakhshan terá neste ano é um bônus de US$2 milhões (aproximadamente R$ 4 milhões) por se tornar livre de papoula. A província espera gastá-lo em uma série de pequenos projetos para diferentes aldeias.

Aziz Ariaey, agente local para alternativas de vida da equipe Conselheira de Combate ao Narcótico, uma organização patrocinada pelos EUA e Reino Unido até recentemente como força de erradicação da papoula, diz que é essencial desenvolver indústrias locais para absorver os desempregados.

Até certo ponto, isso está sendo alcançado por projetos de desenvolvimento internacionais, como um programa de construção de estradas para unir mercados locais, o que deve favorecer a plantação de cultivos legais.

A estrada tem sido fonte vital de vendas para ex-produtores de papoula. "A estrada é a única coisa que impediu as pessoas de plantarem papoula no ano passado", disse Ariaye. "A vida está mudando por causa da papoula - precisamos desenvolver fábricas de processamento de alimentos, têxteis e outras para que as pessoas possam ficar na província." Deborah Weinberg

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