Nordeste brasileiro atrai estrangeiros em busca de uma segunda residência

John Rumsey

A aldeia costeira de Sortland, dentro do Círculo Ártico na Noruega, e a aldeia de Pipa e seus relaxados 300 dias de sol por ano, próxima de algumas das melhores praias tropicais no Nordeste do Brasil, podem parecer ter pouco em comum fora a pesca. Mas elas compartilham um morador importante.

Torben Frantzen, 36 anos, criado em Sortland e um dos herdeiros do império de peixe congelado Findus, por acaso participou de um dos primeiros vôos charter da Escandinávia para o Brasil e se apaixonou pelo país.

Ele deixou Sortland e começou a desenvolver hotéis e resorts na região, que é relativamente subdesenvolvida e desfruta de mais sol, menos violência e preços mais baratos do que o restante do Brasil.

O Brasil e o México, que representam somados 75% do PIB da América Latina e 50% da população, geralmente são as primeiras opções para os investidores que optam pelo continente, disse Pedro Azcue, o presidente-executivo para América Latina da Jones Lang LaSalle.

Apesar das incertezas criadas pela crise econômica americana, os investidores institucionais estão alocando mais recursos para a América do Sul e México, disse Azcue. Os clientes que começaram investindo na Ásia e se deram bem estão à procura da próxima oportunidade. Eles consideram a América Latina como o próximo passo lógico na curva de risco.

O México com grau de investimento tem muitos pré-requisitos para investimento seguro, desde o óbvio, como a proximidade com os Estados Unidos e alto nível de inglês, aos práticos, incluindo práticas imobiliárias que são fáceis de entender e vantajosas, como contratos e aluguéis geralmente denominados em dólares americanos.

Estes investidores europeus e americanos que mergulham nestes mercados o fazem com metas diferentes, destacou Azcue. Os europeus, dominados pelos fundos institucionais alemães, são atraídos por retornos altos e constantes com uma taxa de capitalização de 7,5% -a receita operacional líquida anual pelo custo de compra- em comparação a 5% em casa.

A Union Investment de Hamburgo já realizou cerca de US$ 1,15 bilhão em investimentos, ele apontou. Enquanto os investidores alemães procuram por um fluxo de renda previsível, os investidores americanos abraçam o risco e estão dispostos a financiar da estaca zero projetos com retornos em uma base alavancada de 15% a 20%.

O perfil relativamente de alto risco dos investimentos americanos levanta a grande pergunta sobre quanto a crise econômica americana os prejudicará. "Projetos que dependiam de financiamento do tipo Wall Street estão tendo um momento horrível para levantar capital. Os bancos americanos estão encaminhando negócios aos bancos mexicanos, já que não podem executar novos empréstimos", admitiu Azcue.

Enquanto isso, no Brasil, Frantzen está pegando uma onda. O mercado de segunda residência e de aposentadoria ali está se desenvolvendo velozmente devido às baixas taxas de juros e crescimento econômico.

Os desenvolvedores têm acesso a financiamento barato, algo impensável há três anos, enquanto as tendências globais de segunda residência distante têm atraído estrangeiros.

Os brasileiros são bons em promoção. O lançamento do mega-resort Cabo São Roque de Frantzen contou com a presença de um David Beckham sem camisa e do piloto veterano de Fórmula Um, Rubens Barrichello, em coletivas de imprensa com belas vistas. "Foi um lançamento discreto", comentou Simon Rees, executivo-chefe do empreendimento, aparentemente sem traço de ironia.

Em um recente empreendimento na cidade nordestina de Fortaleza, os brasileiros adquiriram 70% das unidades, enquanto portugueses, noruegueses e italianos foram os compradores estrangeiros mais significativos.

Por ora, os compradores americanos de uma segundo residência permanecem firmemente em segundo lugar atrás dos europeus no Brasil, por causa de três fatores incômodos principais: poucos vôos diretos para o Nordeste, os americanos precisam de visto para entrar no Brasil e o dólar se desvalorizou significativamente frente ao real.

Já há um trabalho visando simplificar as exigências de visto e estabelecimento de mais vôos diretos, enquanto a taxa de câmbio algum dia deverá voltar a favorecer os americanos.

Mas a infra-estrutura cronicamente fraca tem atrapalhado os planos para aumentar o número de turistas, que permanece em magros 5 milhões. O trabalho do Ministério do Turismo e um maior gasto federal em infra-estrutura estão melhorando as coisas, mas o progresso está lento. George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos