Irlanda do Norte comemora dez anos de paz com bom momento econômico

John Murray Brown

Durante três décadas, a segurança foi a questão que afastou os investidores na Irlanda do Norte. Hoje em dia, dez anos após o acordo de paz da Sexta-feira Santa, o índice de criminalidade da província, abaixo da média do Reino Unido, é citado no website da diretoria local de investimentos como sendo um motivo para se investir lá.

Leslie Morrison, que foi escolhido para gerenciar o banco de investimentos Invest Northern Ireland em 2005, afirma: "As pessoas não vêem mais a região como um local arriscado. As perguntas atualmente feitas pelos investidores são de ordem econômica".

É fácil esquecer que os investidores norte-americanos boicotaram a Irlanda do Norte durante o período de 30 anos de lutas internas conhecido como "The Troubles" (literalmente, "Os Problemas"), pelo fato da província mostrar-se incapaz de coibir a sua tendenciosidade anticatólica no mercado de trabalho. O prefeito de São Francisco certa vez foi protagonista de um ato famoso, ao despejar toda a reserva de uísque Bushmills da sua adega na baía ao saber que a destilaria Antrim na Irlanda do Norte empregava poucos católicos.

Hoje em dia é normal ouvir Martin McGuinness, que já foi líder do Exército Republicano Irlandês, e que agora é vice-líder de gabinete do Sinn Féin, elogiar as virtudes de se fazer negócios na Irlanda do Norte. No mês que vem ele e Ian Paisley, o primeiro líder de gabinete do Partido Democrático Unionista, sediarão uma conferência internacional de investimentos a fim de capitalizar as mudanças políticas na província.

A Irlanda do Norte está, é claro, competindo com outras regiões do Reino Unido e com a República da Irlanda para atrair companhias estrangeiras. Mas um dos fatores econômicos exclusivos que atrai investidores para a província é o fato de ela contar com preços relativamente baixos de propriedades comerciais, e com aluguéis de escritórios ainda bem mais baratos do que no resto do Reino Unido.

Tendo em vista a concorrência, poderia se pensar que os construtores locais estariam receosos de investir em novas obras. Mas Nick Reid, diretor-executivo da William Ewart Properties, uma companhia de construção, afirma: "Basta olhar para o número de guindastes em volta da cidade para ver a atividade em progresso". Em uma aposta evidente na província, a sua companhia está com dos dois canteiros de obras no Rio Lagan, em um projeto de £ 80 milhões (cerca de US$ 158 milhões), investindo de uma forma especulativa, sem primeiro se assegurar que haja compradores - algo que ele admite que seria impossível fazer alguns anos atrás.

Mas talvez a expressão mais dramática desta onda de fatores positivos na província seja o aumento extraordinário dos preços dos imóveis - uma elevação de impressionantes 800% em 15 anos, fazendo da Irlanda do Norte o mercado regional de melhor desempenho do Reino Unido.

"Todo médico ou advogado que conheço parece ter investido um pouco em propriedades por aqui", afirma Mark O'Connell, que dirige uma consultoria especializada em monitoramento de fluxos de investimentos na Irlanda do Norte. "Aqueles que chegaram cedo ganharam muito dinheiro".

Embora esses sinais de confiança renovadas sejam bem-vindos, os analistas concordam que os problemas de longo prazo ainda precisam ser resolvidos.

O setor público ainda responde por dois terços da atividade econômica, e por um terço de todos os empregos.

Embora o nível de desemprego tenha caído drasticamente - segundo uma avaliação do Departamento Internacional de Trabalho, com sede em Genebra, a Irlanda do Norte possui um índice de desemprego menor do que o de qualquer outra região européia -, o número de indivíduos chamados de economicamente inativos continua 50% superior à média do Reino Unido, sendo de um em cada cinco integrantes da população trabalhadora.

Aidan Langan, diretor-executivo da Enterprise Equity, uma organização de capital de investimento, afirma: "Não acho que o Sinn Féin e o Partido Democrático Unionista sejam necessariamente os maiores missionários do mundo da iniciativa privada".

Mas ele diz que há uma impressão geral de que os desafios enfrentados pela província são abordados de forma muito melhor pelos ministros locais.

Uma indústria de grande potencial, mas que, por motivos óbvios, sofreu com os anos de conflito civil, é o turismo.

Segundo uma pesquisa recente, hoje em dia Belfast só perde para Edimburgo, no âmbito do Reino Unido, como cidade de destino de turistas.

Assim que se obteve a paz, táxis particulares e ônibus especiais surgiram para levar os turistas aos locais famosos do período "The Troubles", ressaltando exatamente aqueles pontos que as autoridades do setor turístico passaram anos tentando esconder dos visitantes. Guindastes e turistas revelam que a paz rendeu dividendos no país UOL

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