Brasil deve anunciar aumento da taxa de juros

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

A expectativa era de que o Banco Central do Brasil aumentaria a taxa de juros na noite de quarta-feira (16/04), colocando um fim a mais de dois anos de redução dos juros, em meio à crescente preocupação de que a inflação nos preços ao consumidor ultrapassaria a meta do governo deste ano.

Se confirmada, a ação provocará reações iradas de empresários e sindicatos, que pressionavam o banco a manter a redução das taxas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do banco mantém sua taxa básica de juros, conhecida como Selic, em 11,25% ao ano desde setembro passado, após dois anos de reduções do pico de 19,75%.

A maioria dos economistas esperava um aumento da taxa em 0,25 ponto percentual na noite de quarta-feira, apesar de alguns não descartarem um aumento de meio ponto.

Nos últimos dois anos, a consumo interno ultrapassou o setor exportador como principal motor do crescimento no Brasil.

A queda do desemprego, o aumento dos salários e o crédito mais barato levaram a um boom do consumo, especialmente em itens sensíveis ao crédito como carros e eletrodomésticos.

Cerca de 2,4 milhões de veículos foram vendidos no Brasil no ano passado -um aumento de quase 28% em relação a 2006. A forte demanda continua por toda a economia neste ano. As vendas no varejo em fevereiro subiram 12% em comparação ao ano passado.

Nas minutas da reunião anterior, em março, o Copom alertou que um aumento da taxa seria necessário em caso de continuidade da pressão inflacionária.

De lá para cá, tanto a inflação como a expectativa de inflação continuaram subindo. Nesta semana, os economistas do banco que realizam o levantamento do mercado apontaram uma expectativa de alta nos preços ao consumidor de 4,66% neste ano, rompendo a meta do governo de 4,5% pela primeira vez.

"Os sinais estão ficando mais fortes o tempo todo de que a demanda está crescendo fortemente e que o equilíbrio delicado em vigor desde o início do ano foi quebrado", disse Alexandre Schwartzman, economista chefe do ABN Amro, em São Paulo.

Enquanto isso, cresce a evidência de uma escassez de mão-de-obra qualificada no setor siderúrgico e em outros setores. A Vale, o grupo de mineração, disse recentemente que construiria escolas técnicas para formar os engenheiros e outros especialistas que é incapaz de recrutar no mercado de trabalho.

Se o Copom iniciar um ciclo de arrocho monetário, ele enfrentará oposição tanto dentro quanto fora do governo. A poderosa federação das indústrias de São Paulo disse nesta semana que o aumento dos juros inibiria a demanda, o investimento e o crescimento.

O aumento da taxa também irritaria membros do governo, como Guido Mantega, o ministro da Fazenda, que expressou publicamente a preocupação de que taxas de juros mais altas aumentarão a pressão de valorização da moeda do Brasil, o real -prejudicando ainda mais a competitividade das exportações. O dólar se desvalorizou de R$ 2,15 em janeiro do ano passado para R$ 1,67 na quarta-feira (16/04). George El Khouri Andolfato

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