Hillary Clinton encontra aliado em McCain

Edward Luce
Do Financial Times
Em Washington

A campanha presidencial de 2008 reduziu-se a uma batalha de dois contra um -John McCain e Hillary Clinton contra Barack Obama.

Hillary, que precisa vencer as primárias da semana que vem na Pensilvânia por uma ampla margem para ter uma chance na nomeação do Partido Democrata, e McCain, o provável nomeado republicano, estão usando críticas virtualmente idênticas contra Obama e evitando usar um ao outro como alvo.

Assistentes de McCain admitem que prefeririam ter Hillary como oponente em uma eleição geral, dado seu alto índice negativo entre os eleitores, enquanto Hillary está buscando qualquer arma disponível para evitar a vitória amplamente prevista de seu oponente na disputa do Partido Democrata.

Hillary, na semana passada, até se comparou a Rocky, o boxeador da Filadélfia interpretado por Sylvester Stallone (que, no entanto, endossou McCain). No entanto, diferentemente do personagem de Stallone no filme, muitos democratas acreditam que Hillary está golpeando a linha abaixo da cintura. No final de fevereiro, Hillary sugeriu que tanto ela quanto McCain estavam aptos a serem comandantes das forças armadas enquanto não se poderia confiar a Obama a tarefa de responder uma ligação às 3h da manhã sobre uma questão de segurança -uma linha de ataque escolhida por McCain.

Nos últimos cinco dias, os dois pintaram Obama como um "elitista" condescendente por ter dito que os americanos de pequenas cidades rurais se atêm às armas e a deus e desconfiam dos forasteiros para compensar seu desespero econômico.

"A senadora Hillary quebrou uma regra não escrita da política, que é a de não falar mal de um membro do próprio partido e se aliar com seus oponentes", disse Gary Hart, ex-candidato democrata a presidência, que endossou Obama. "O que é deplorável sobre isso é que Hillary está entregando aos republicanos munição que pode ser usada contra Obama" (nas eleições de novembro).

Os simpatizantes de Obama apontam para as aparentes insinuações da campanha de Clinton sobre a herança religiosa de seu candidato: Obama é cristão, mas uma minoria de americanos acredita que é muçulmano. Em entrevista ao programa "60 Minutes" em março, Hillary disse que não acreditava que Obama fosse muçulmano, mas acrescentou: "Até onde eu sei".

A campanha de Hillary também lançou dúvidas sobre os sentimentos de Obama em relação a Israel, apontando para sua amizade nos anos 90 em Chicago com palestinos e suas declarações mais recentes sobre o sofrimento dos palestinos. Obama admitiu o problema ontem em uma entrevista ao Pittsburgh Post-Gazette, que também endossou sua candidatura. "Realmente, houve um esforço sistemático para sugerir que eu não sou suficientemente pró-Israel", disse ele. "O fato do meu nome do meio ser Hussein, tenho certeza, ajuda neste quesito."

Há, entretanto, sinais que as táticas de Hillary também podem estar causando danos a ela mesma. De acordo com uma pesquisa da ABC-Washington Post ontem, apenas 39% dos americanos vêem Hillary como "confiável", contra 52% em 2006, antes do início da sua campanha. Quatro entre 10 democratas concordaram. E quase dois terços dos democratas disseram que Obama estava em melhor posição do que Hillary para vencer uma eleição geral.

Tad Devine, que foi alto consultor de John Kerry em sua campanha de 2004 pela presidência, diz que a disposição de Hillary de se unir a McCain pode tê-la prejudicado entre os eleitores democratas.

"Um mais um é igual a zero, se seu aliado é um republicano", diz Devine. "Hillary pode ter se prejudicado entre os democratas mais do que está prejudicando Obama."

Devine, que é neutro na disputa democrata, acrescenta que Obama está mais apto a rebater as acusações de ser elitista liberal do que estavam Kerry e Al Gore, que concorreram ao mais alto cargo em 2000. Os dois homens perderam muito entre os eleitores que caçam e que vão à igreja freqüentemente. Obama foi criado por uma mãe solteira que freqüentemente usava auxílio alimentação; o pai de Gore é senador, e Kerry veio de família rica.

Obama também tem o apoio de alguns ícones operários. Ontem, o cantor Bruce Springsteen defendeu os comentários do candidato sobre os americanos de cidade pequena. "(Os comentários) foram arrancados do contexto e do tecido da vida e da visão do homem para nos distrair da discussão das questões reais", declarou. "Aqui na rua E temos orgulho de apoiar Obama." Deborah Weinberg

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