Colecionadores ignoram crise e obras alcançam preços recordes

Deborah Brewster

Nesta semana, os colecionadores de arte ignoraram a desaceleração econômica americana e a turbulência financeira global ao comprarem solidamente em grandes leilões em Nova York, apesar de haver alguns sinais de infiltração de um sentimento mais cauteloso no mercado.

A Sotheby's e a Christie's apostaram que os preços recordes prevaleceriam em suas vendas de arte impressionista e moderna e em grande parte acertaram, apesar de ambas as casas de leilão terem moderado suas esperanças ao reduzirem o número de lotes em comparação ao ano passado.

A Christie's, em seu leilão na noite de terça-feira, vendeu seu lote de maior destaque, "Ponte Ferroviária em Argenteuil" de Claude Monet, por US$ 41,4 milhões, acima de sua avaliação do quadro. Os preços finais incluem a comissão dos compradores de cerca de 12%, mas as avaliações não incluem a comissão.

A obra superou facilmente o recorde anterior de US$ 35 milhões para um Monet, estabelecido no ano passado e que foi um bom investimento para a família Nahmad de marchands, que o comprou em 1988 por US$ 12,5 milhões.

Mas 14 dos 58 lotes da Christie's não conseguiram ser vendidos e a receita total de US$ 277 milhões ficou ligeiramente abaixo das estimativas.

Na Sotheby's na noite de quarta-feira, uma obra cubista de 1912 de Léger, "Estudo para a Mulher em Azul", foi vendida por US$ 39,2 milhões, na faixa intermediária de sua avaliação e estabelecendo um recorde para o artista. A obra era incomumente grande -daí seu alto valor- mas apenas dois interessados deram lances. Outra obra de Léger, "Festa no Campo", não conseguiu ser vendida.

A escultura de Picasso, "O Grou", foi vendida por US$ 19,1 milhões. Esculturas, que recentemente foram ofuscadas pela alta acentuada dos preços em outros setores no mercado de arte, em geral foram bem vendidas tanto na Christie's quanto na Sotheby's. Uma obra de Giacometti de 2,75 metros, "Mulher em Pé II", foi vendida na Christie's por US$ 27,4 milhões, bem acima de sua avaliação e um preço recorde para o artista.

Outra obra de destaque da Sotheby's, "Meninas em uma Ponte" (1902) de Edvard Munch, atraiu mais lances e foi vendida por US$ 30,8 milhões, bem acima de sua avaliação. Ela foi vendida por Graham Kirkham, o fundador da DFS Furniture, e valorizou substancialmente desde que foi vendida em um leilão em 1980 por US$ 2,8 milhões. Kirkham a comprou por US$ 7,2 milhões em 1996.

A Sotheby's teve menos lotes que a Christie's e mais sucesso em vendê-los, com 90% vendido pelo valor.

Mas Ian Peck, o presidente-executivo do banco de financiamento de investidores em arte, Art Capital Group, alertou que não houve grande profundidade nos lances nas vendas.

"Houve um recuo nas avaliações (...) Apenas um punhado de colecionadores ricos deram lances. Em um mercado saudável de arte, você vê um grupo maior e mais diverso de interessados", ele disse.

Na próxima semana, o mercado de arte contemporânea mais volátil será testado com a Sotheby's, Christie's e Phillips realizando leilões.

A Christie's planeja vender na noite de terça-feira uma obra de Lucian Freud, "Benefits Supervisor Sleeping, 1995", mostrando Sue Tilley, uma funcionária pública britânica nua, cuja avaliação é de que será vendida por um valor entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões.

O leilão de arte contemporânea da Sotheby's na noite de quarta-feira contará com a obra mais cara da temporada -"Tríptico, 1976", de Francis Bacon, que está avaliada em US$ 70 milhões. Ela também leiloará "Laranja, Vermelho, Amarelo", obra de Mark Rothko de 1956, avaliada em US$ 35 milhões ou mais.

Em poucas semanas, leilões cada vez importantes de asiáticos ocorrerão em Hong Kong, com a Christie's realizando pela primeira vez um leilão de arte contemporânea asiática. Em novembro passado, seu leilão de arte contemporânea asiática ultrapassou pela primeira vez US$ 100 milhões.

Enquanto isso, a Sotheby's disse na sexta-feira que aumentaria suas comissões -em média 2% na maioria das vendas- em um esforço para aumentar os lucros diante de uma recente queda nas margens e maiores despesas operacionais.

A casa de leilão disse que teve um prejuízo de US$ 12,4 milhões no primeiro trimestre, em comparação a um lucro de US$ 24,3 milhões no ano passado. É mais comum para ela ter um prejuízo no primeiro trimestre, já que há menos grandes leilões no início do ano.

Entretanto, ela disse que suas margens de comissão caíram, de 16,6% para 13,6%. Ela reduziu a quantidade de garantias que oferecia aos vendedores, de forma que teve que oferecer outros incentivos para obter consignações, resultando em margens menores, ela disse. Suas ações caíram 9%.

Bill Ruprecht, o presidente-executivo, disse que o mercado permanece forte e que o grupo teve um aumento de 11% nas vendas no ano até o momento, incluindo a venda de arte impressionista desta semana. George El Khouri Andolfato

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