A ministra do Meio Ambiente do Brasil se demite

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

A ministra do Meio Ambiente do Brasil se demitiu depois de se ver cada vez mais isolada no governo. Marina Silva, que saiu da pobreza no Estado amazônico do Acre para se tornar um símbolo global dos ativistas ambientais, demitiu-se no final da terça-feira (13/05) de uma maneira típica de sua atuação: escreveu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e imediatamente anunciou sua decisão à mídia, não deixando espaço para uma possível negociação.

A gota d'água para Silva parece ter sido a indicação de Roberto Mangabeira Unger, o ministro de Assuntos Estratégicos, para cuidar de um novo plano para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Mas durante seus cinco anos no cargo ela se viu em crescente conflito com ministros que pressionavam pela aprovação de projetos de infra-estrutura, muitos dos quais foram retardados pelo longo processo de obtenção de licenças ambientais.

O mais visível desses projetos envolve o rio Madeira, no Amazonas, onde duas usinas hidrelétricas serão construídas contra a tenaz resistência de povos indígenas e grupos ambientalistas. Lula irritou Silva ao comentar que o desenvolvimento econômico do Brasil estava sendo impedido "em nome de alguns peixes".

Muitos ambientalistas ficaram decepcionados com a saída de Silva do governo, que ocorreu dias depois que um proprietário de terras do Amazonas teve cancelada sua condenação por ordenar o assassinato de uma missionária americana.

Silva descreveu como "lamentável" a decisão no caso Dorothy Stang, aparentemente assassinada em 2005 por seu ativismo em prol dos agricultores sem-terra.

Em um comunicado, o grupo ambientalista internacional Greenpeace disse que Silva havia "levado consigo a credibilidade do governo Lula". Ele declarou: "Com sua saída, uma facção do governo que está pressionando pelo desenvolvimento econômico a qualquer custo ... teve uma grande vitória contra aqueles que tentam conciliar desenvolvimento com sustentabilidade".

Outros ficaram menos alarmados. Silva foi criticada por muitos por ver a conservação como um "jogo de soma zero" e por sua oposição a iniciativas que tentavam conciliar os interesses dos pecuaristas e agricultores com a preservação ambiental. O substituto de Marina Silva ainda não estava definido na terça-feira. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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