A necessidade de uma nova visão dos EUA para a América Latina

Richard Lapper
Na Cidade do México

O novo governo americano deveria adotar uma reforma da imigração abrangente e promover a maior cooperação com os produtores de energia da América Latina, segundo um relatório publicado ontem por um importante grupo de pensadores de política externa.

O Conselho para Relações Exteriores de Nova York disse que a ampla reformulação da política dos EUA em relação à região é necessária porque o esquema existente desde o fim da Guerra Fria -baseado no livre comércio, na consolidação democrática e no combate ao tráfico de drogas- tornou-se "obsoleto".

O recente sucesso econômico da América Latina, com base na maior estabilidade financeira e nas ligações comerciais e de investimentos com a Europa e a Ásia, significa que os EUA deixaram de ser "o ator principal".

Os formadores de políticas têm de "se envolver com a América Latina em seus próprios termos ... e mudar sua maneira de pensar sobre a região. Se houve uma era de hegemonia americana na América Latina, ela terminou".

O relatório -preparado por uma força-tarefa comandada por Charlene Barshefsky, ex-representante comercial dos EUA, e pelo general James T. Hill, ex-comandante do Comando Sul dos EUA- também defendeu a eventual suspensão do embargo a Cuba.

Apesar dos crescentes laços comerciais, de investimentos e sociais entre os EUA e a América Latina, a posição americana no hemisfério sul está em uma maré relativamente baixa.

A ascensão do nacionalismo, especialmente em relação aos recursos energéticos e à imigração, tem sido o pomo da discórdia. As relações dos EUA com o governo de esquerda radical da Venezuela, o maior produtor de petróleo da região, têm sido tensas, e as medidas americanas para restringir a imigração ilegal, incluindo a construção de um muro em partes da fronteira mexicana, provocaram indignação.

Mas o relatório disse que as duas questões representam "oportunidades". "A cooperação mútua em direção a uma energia alternativa é uma proposta vencedora", ele disse, indicando perspectivas de investimentos em recursos energéticos tradicionais e alternativos, como o etanol no Brasil. Os EUA obtêm cerca de 30% de seu petróleo da América Latina, e a descoberta de grandes reservas no Brasil levantou a perspectiva de aumento das exportações.

A reforma da imigração também ofereceria benefícios para os dois hemisférios. O perfil demográfico dos EUA e as crescentes necessidades de mão-de-obra significam que o país teria a ganhar com um quadro legal mais estável para os trabalhadores imigrantes.

O relatório também sugeriu a aprovação de dois importantes acordos de livre comércio com a Colômbia e o Panamá, mas disse que os EUA deveriam fazer mais para liberar seus próprios mercados em setores como a agricultura, em que a América Latina tem uma vantagem comparativa. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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