Recessão ainda provável nos EUA, diz Greenspan

Krishna Guha
Em Washington

Ainda é mais provável que os Estados Unidos entrem em recessão do que não, apesar da relativa estabilização na economia nas últimas semanas, disse Alan Greenspan para o Financial Times.

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, disse: "Eu ainda acredito que há uma probabilidade de mais de 50% de recessão". Mas, ele falou, "esta probabilidade diminuiu um pouco e eu acho que a probabilidade de uma recessão severa caiu acentuadamente".

Seus comentários contrariam o crescente otimismo em alguns setores. Nas últimas seis semanas, a maioria dos economistas reduziu suas estimativas de probabilidade de uma recessão americana após um relatório de empregos melhor do que o esperado e levantamentos de atividade econômica mais fortes. Muitos agora acham que os Estados Unidos vão escapar por pouco de uma retração econômica.

O ex-presidente do Fed também disse que ainda "é muito cedo para dizer" se o pior da crise financeira já passou, já que isso depende do que vier a acontecer com o preço dos imóveis residenciais.

Greenspan estima que os preços dos imóveis residenciais cairão mais 10% em relação aos níveis de fevereiro, para um declínio total do pico ao vale de cerca de 25%.

Em caso de uma economia fraca e do mercado passar dos limites, os preços dos imóveis residenciais poderiam cair 5% adicionais, ele disse.

"Tamanhos declínios nos preços dos imóveis implicam em uma grande retração no nível do patrimônio líquido dos lares ocupados pelo proprietário, a principal garantia para os ativos apoiados por hipoteca", ele afirmou. Greenspan disse que ainda não está claro se as grandes instituições financeiras realizaram todas as baixas nos livros necessárias para assumir as áreas mais rentáveis de produtos de crédito apoiado por hipotecas.

Ele reconheceu ter ficado surpreso com os recentes dados econômicos que sugerem que a economia parou de se deteriorar por volta de março.

"Uma recessão é caracterizada por descontinuidades significativas de dados", explicou. "Começou desta forma - houve um período de descontinuidade acentuada de dezembro a março. Mas então parou."

Greenspan acredita que há um "cabo-de-guerra" ocorrendo na economia, com a tensão do setor financeiro puxando para um lado e a forte liquidez corporativa puxando para o outro. A liquidez corporativa está sendo corroída, mas apenas gradualmente.

"Ninguém sabe como este cabo-de-guerra terminará - especificamente, se a crise financeira acabará antes de arrastar para baixo a economia real."

O maior risco que ele vê é o da taxa de poupança dos lares aumentar mais rapidamente do que a maioria dos analistas espera, à medida que cai o valor dos imóveis, o mercado de trabalho enfraquece e o acesso ao crédito diminui.

Um aumento da taxa de poupança (excluindo o impacto isolado de abatimentos de impostos) deprimiria o crescimento do consumo, possivelmente a ponto de provocar uma redução do consumo.

Isto não acontece há muitos anos. Por exemplo, o consumo aumentou em todos os trimestres durante a recessão de 2001. George El Khouri Andolfato

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