Brasil consegue boa nota da Fitch

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

A Fitch Ratings deu ao Brasil sua muito esperada nota de grau de investimento, seguindo o exemplo da Standard & Poor's em 30 de abril e abrindo caminho para uma potencial inundação de investimentos no Brasil, por parte de grandes investidores institucionais.

Muitos desses investidores só podem investir na dívida de um país se este tiver uma classificação de grau de investimento por pelo menos duas das três grandes agências -S&P, Fitch e Moody's.

Mas os ativos brasileiros permaneceram relativamente calmos depois da notícia ontem. O principal índice de ações de São Paulo subiu aproximadamente 2.000 pontos, antes de voltar para cerca de 72.200 pontos uma hora depois do anúncio. A moeda brasileira, o real, se valorizou em relação ao dólar americano de R$ 1,653 para R$ 1,638.

"Não se pode perder de vista o fato de que os mercados financeiros globais estão em crise", disse Marcelo Salomon, economista chefe do Unibanco, um grande banco brasileiro. "Isto não vai mudar o mundo da noite para o dia."

No entanto, Salomon comemorou a elevação como um reconhecimento do histórico brasileiro de boas políticas nos últimos 15 anos. "As instituições foram todas bem mantidas -as metas de inflação, a lei de responsabilidade fiscal e a liberdade do Banco Central para agir quando e como quiser para controlar a inflação", ele disse.

A Fitch disse que o "upgrade" reflete a "melhora drástica na balança exterior e do setor público do Brasil, que reduziu muito a vulnerabilidade do país a choques externos e cambiais".

A Fitch e a S&P e duas agências menores que deram ao Brasil o grau de investimento nos últimos dois meses -R&I do Japão e DBRS do Canadá- salientaram a necessidade de melhorar o desempenho fiscal do Brasil para que o país possa subir na escala do grau de investimento.

Shetty Shelly, diretor sênior do grupo de soberanos da Fitch, disse: "Reconhecemos que há fraquezas estruturais nas finanças públicas, mas pensamos que o desempenho geral está melhorando. O governo cumpriu constantemente suas metas fiscais, mesmo nos anos de baixo crescimento". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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