Equipe brasileira mantém controle de gigante da cerveja

Sarah Laitner, em Bruxelas, e
Jonathan Wheatley, em São Paulo

A InBev orgulhosamente traça sua tradição até 1366, no que é hoje a Bélgica. Mas apesar de a cervejaria manter sua sede lá, a direção liderada por brasileiros é quem dá as cartas. Esta inclui Carlos Brito, seu executivo-chefe. Ele assumiu a função em 2005, um ano depois que a InBev foi criada por uma fusão da Interbrew da Bélgica com a AmBev, o maior grupo cervejeiro da América Latina.

Brito é central na oferta não-solicitada de US$ 46,3 bilhões pela Anheuser-Busch dos EUA, potencialmente um negócio transformador que daria à InBev cerca de um quarto do mercado mundial de cerveja. Brito entrou para a AmBev, sediada no Brasil, há quase 20 anos e subiu até o topo antes de passar para a InBev, para liderar as operações da empresa na América do Norte.

O esforçado executivo de 48 anos projeta uma imagem informal: é conhecido apenas como "Brito". Mas isso esconde seu esforço para espremer os custos e aumentar a eficiência. A InBev foi forjada por meio de uma série de aquisições no mundo todo, produzindo bilhões de euros em economias de custos.

Brito, que tem um MBA de Stanford, revelou em um discurso na universidade americana este ano que os benefícios são raros na InBev, embora haja um sistema de compensações agressivo.

"Dizemos que quanto mais enxuta a empresa mais dinheiro teremos para dividir no fim do ano", ele disse. "Eu não tenho escritório. Divido minha mesa com meus vice-presidentes. Sento-me com meu homem de marketing à esquerda, o de vendas à direita, o das finanças em frente."

O principal oficial financeiro de Brito é Felipe Dutra, um brasileiro de 42 anos. Sentados acima deles no conselho da InBev estão Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, Roberto Thomson Motta e Carlos Sicupira, que foram trazidos pela GP Investimentos, uma companhia de sucesso que conseguiu participação em muitos grupos brasileiros.

Os membros do conselho "são muito objetivos, simples e diretos em sua abordagem", diz um antigo executivo da AmBev. "Eles definem objetivos e não os modificam muito. Mesmo que uma operação tenha alto custo, sua prioridade é ter o controle do que eles operam e hegemonia em qualquer mercado em que operem."

Brito rejeitou a sugestão de que ele e seus colegas dominariam uma nova combinação InBev-Anheuser, dizendo que ela utilizará executivos talentosos de ambos os lados. Mas o histórico dos brasileiros sugere que é improvável que entrem em qualquer empreendimento no qual não detenham o controle operacional. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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