Migrantes venezuelanos procuram uma vida estável na Colômbia

Anastasia Moloney
Em Cucuta, Colômbia

Todos os finais de semana, centenas de venezuelanos cruzam a fronteira para fazer suas compras na cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta. Eles vêm em busca de barganhas e escolhas. Atualmente, entretanto, muitos estão preferindo ficar.

No ano passado, 64 novas empresas foram abertas por imigrantes venezuelanos em Cúcuta, um aumento de 85% nos últimos dois anos, de acordo com a câmara de comércio da cidade.

Além da busca por melhores oportunidades econômicas, cada vez mais venezuelanos dizem que são movidos por um desapontamento crescente com o regime do presidente Hugo Chávez.

A história turbulenta da Colômbia tornou o país uma fonte de emigrantes, e estima-se que a própria Venezuela tenha mais de um milhão de imigrantes colombianos. Entretanto, a direção dessa maré pode estar virando.

De acordo com a agência de inteligência colombiana DAS, que registra dados de imigração, o número de venezuelanos entrando na Colômbia aumentou de 65.781 em 2002 para 198.799 no ano passado. Acredita-se que o número real seja muito maior, porque os venezuelanos não são obrigados a se registrar em nenhum consulado na Colômbia e muitos detêm dupla cidadania que permite que entrem no país usando uma carteira de identidade local.

"Estamos vendo um número crescente de venezuelanos vindo para Cúcuta e abrindo pequenas ou médias empresas, como lanchonetes, padarias e confecções. Eles são atraídos pela estabilidade jurídica e econômica da Colômbia, e muitos dizem que é mais fácil abrir um negócio e fazer dinheiro aqui do que na Venezuela", diz Pedro Sayago, da câmara de comércio de Cúcuta.

Neptalí Barrios, engenheiro eletricista, deixou a Venezuela no início do mandato de Chávez em 2001 e mudou-se para Bogotá, onde trabalha para uma multinacional.

"Fui forçado a deixar a Venezuela por causa da desvalorização da moeda local, inflação e alto custo de vida", diz ele. "A instabilidade política e econômica crescente tornavam difícil planejar o futuro e, como eu não tinha amigos chavistas em altos postos, não podia desenvolver minha carreira."

Enquanto o governo não conseguir dominar o crime crescente e a corrupção "descontrolada", Barrios diz que não tem planos de voltar.

O êxodo de venezuelanos de classe média e alta é uma tendência aparente não só na Colômbia, mas no mundo todo. Canadá, Austrália, Espanha, Panamá e EUA são destinos populares.

Estima-se que 300.000 venezuelanos estejam morando nos EUA e 2.000 dos 15.000 judeus venezuelanos emigraram para Israel nos últimos anos.

Esther Bermudez, diretora do site mequieroir.com, que dá conselhos a venezuelanos sobre mudar para o exterior, teve um aumento de 300% no número de visitantes do site nos últimos dois anos. Ela diz que isso reflete o desconforto crescente dos venezuelanos com o futuro do país.

"Não há dúvidas que a migração dos venezuelanos é altamente motivada pela política", diz Bermudez. "As preocupações em geral são de segurança pessoal, mudanças na educação e nas leis sobre a propriedade privada, nacionalização dos serviços e falta de alimentos básicos."

Como muitos outros jovens profissionais, Barrios sentiu-se marginalizado pelo que ele descreve como crescente preconceito de classe. "Uma pessoa vestindo gravata na Venezuela é tachada como parte da oligarquia dominante, e a crescente polarização da sociedade faz a pessoa se sentir desconfortável em seu próprio país, diz ele.

Muitas empresas multinacionais que tinham filiais na Venezuela mudaram suas operações para a Colômbia, diz Bermudez.

"Tradicionalmente, a Venezuela não era um país migratório... Agora, todos os venezuelanos têm um amigo ou familiar morando fora." Deborah Weinberg

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