Líderes do G8 contêm esperanças sobre preço do petróleo

Krishna Guha e David Pilling
Em Toyako, Japão

Membros do grupo dos oito principais países industrializados tentaram na noite de segunda-feira reduzir as expectativas de que possam resgatar a economia global do impacto da alta dos preços do petróleo. Os preços dispararam e deverão ocupar grande parte das discussões na reunião dos chefes de governo do G8.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reiterou um pedido para que os produtores de petróleo aumentem a produção. Mas o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que não há muito que os líderes do G8 possam fazer para influenciar o preço do petróleo em curto prazo. "Honestamente, temos de reconhecer os limites da ação", disse Barroso, acrescentando: "Temos de pôr um fim na dependência crônica dos combustíveis fósseis".

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que pouco pode ser feito sem envolver as economias emergentes, que estão aumentando rapidamente seu consumo de energia. "Teremos de colocar a questão de novo na agenda quando nos reunirmos com a China, Índia, México, Brasil e África do Sul", disse Merkel. Essas reuniões serão na quarta-feira.

Os líderes do G8 deverão discutir nesta terça-feira o impacto dos biocombustíveis sobre o preço dos alimentos, a situação dos mercados de crédito, a situação financeira e a necessidade de enfrentar a hostilidade do público em relação ao livre comércio e aos investimentos estrangeiros.

A reunião também deverá abordar o dólar, com o grupo unido sobre a desejabilidade de uma moeda norte-americana mais forte, em parte para ajudar a conter os preços do petróleo, assim como para retirar a pressão dos exportadores em outros países.

Mas na ausência dos grandes bancos centrais, sua capacidade de ajudar o dólar é limitada. "Não está claro o que se poderia fazer para mudar o valor do dólar além de potencialmente aumentar as taxas de juros", disse Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, acrescentando que o Federal Reserve do EUA tem de equilibrar a desejabilidade de um dólar mais forte com a necessidade de apoiar o crescimento dos EUA.

Com as expectativas sobre a economia baixas, a atenção já se voltava para se o G8 seria capaz de chegar a um acordo sobre as metas compulsórias de redução de emissões para combater a mudança climática - uma decisão política que poderá ter conseqüências econômicas significativas em longo prazo.

Os EUA ainda pareciam estar hesitantes contra a pressão para aceitar um prazo médio (2020 a 2030) como meta obrigatória para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

A China e outras grandes economias emergentes indicaram sua disposição a assinar uma meta global para reduzir pela metade as emissões até 2050, se os países industrializados aceitarem que também devem enfrentar metas compulsórias em médio prazo.

Os preços do petróleo caíram novamente na segunda-feira enquanto os corretores sentiam uma redução da tensão entre o Irã e o Ocidente e o dólar ganhava terreno.

O índice de referência Nymex August West Texas Intermediate subiu US$ 4,71, para US$ 140,56 o barril, no pregão da tarde em Nova York. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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