Fed está pronto para ampliar crédito até 2009

James Politi
Em Washington

Os grandes bancos de investimentos dos EUA poderão ter acesso aos fundos de emergência do Federal Reserve (Fed) no próximo ano, enquanto persistir a crise no mercado financeiro, disse nesta terça-feira (8) o presidente do Banco Central norte-americano, Ben Bernanke, em um sinal da crescente preocupação entre os formuladores de políticas de que as dificuldades do mercado persistam por algum tempo.

O sinal de Bernanke provavelmente acalmará Wall Street, pois confirma o apoio do Fed aos bancos de investimento durante a crise de crédito. No pregão da tarde, o índice S&P 500 subiu 0,5%.

No entanto, além de sinalizar temores de que os efeitos da crise do mercado possam ser sentidos por mais tempo do que se esperava, uma medida para ampliar a facilidade de crédito aumentará a pressão sobre o Congresso para endurecer a regulamentação dos bancos de investimentos.

Falando na Virgínia em um fórum sobre empréstimos hipotecários para famílias de baixa renda, Bernanke disse: "Estamos atualmente monitorando de perto os desenvolvimentos nos mercados financeiros e considerando várias opções, incluindo ampliar a duração de nossas facilidades para corretoras de lançamento além do fim do ano, se as atuais circunstâncias difíceis continuarem a predominar nos mercados de financiamento a corretoras".

Em março, o Fed garantiu aos bancos de investimento como Lehman Brothers e Merrill Lynch acesso a fundos caixa de emergência por pelo menos seis meses, em uma tentativa de estabilizar o sistema financeiro dos EUA, no mesmo dia em que socorreu o Bear Stearns com um empréstimo de US$ 29 bilhões.

Anteriormente, o acesso aos fundos de emergência só era permitido a bancos comerciais como Citigroup e JPMorgan.

Embora as medidas tenham ajudado a estabilizar os mercados de crédito durante vários meses, temores sobre dívidas hipotecárias e a saúde das instituições financeiras voltaram a aumentar.

Esta semana preocupações sobre Fannie Mae e Freddie Mac, as empresas de hipotecas patrocinadas pelo governo, ocuparam o centro do palco depois que suas ações despencaram mais de 16% na segunda-feira (7). Mais evidências da profundidade da crise habitacional nos EUA surgiram na terça-feira, quando a medição das vendas pendentes de casas caiu em um ritmo inesperadamente acentuado de 4,7% em maio.

Os comentários de Bernanke vieram quando o Congresso se preparava para examinar o que é necessário mudar na regulamentação financeira em reação ao arrocho de crédito.
A Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados realizará na quinta-feira (10) sua primeira audiência sobre o tema, com depoimentos esperados de Bernanke e de Hank Paulson, o secretário do Tesouro dos EUA.

No discurso de terça-feira, Bernanke disse que o Congresso "talvez queira considerar" se há necessidade de novos instrumentos para liquidar um banco de investimento "sistemicamente importante" à beira da falência, como o Bear Stearns.

O presidente do Fed afirmou que o Departamento do Tesouro deve assumir a liderança nesse processo e que uma opção é uma estrutura que permita aos reguladores federais montar um "banco ponte" para liquidar uma firma, nas mesmas linhas usadas para os bancos comerciais.

Bernanke também indicou que o Banco Central americano emitirá novas diretrizes sobre empréstimos hipotecários na próxima semana. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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